Por: | 03/11/2011

O cinema sempre gostou de flertar com a violência. São comuns tiros e mortes nos filmes, onde, em função do espetáculo, há pouca reflexão sobre o ato de tirar a vida de uma pessoa. É dito que a violência não é uma questão de personalidade, mas de oportunidade. Todo mundo pode puxar um gatilho e é isso, talvez, que torna a violência tão atraente e assustadora, essa proximidade silenciosa. “Os imperdoáveis”, dirigido e estrelado por Clint Eastwood, é um filme sobre os efeitos da violência, tanto pra quem sofre, como para quem a comete.

Clint Eastwood é William Munny, matador aposentado que precisa de dinheiro e topa fazer um último serviço. Clint, nesse excelente filme vencedor do Oscar 1992, desconstrói a imagem icônica que o transformou em astro. Não espere pelo homem de poucas palavras que atira rápido, mata todos, faz uma piada e sai de cena. A grande força de “Os imperdoáveis” é mostrar um outro olhar sobre a lenda do Oeste. Não se trata de atirar rápido, mas atirar bem. Não espere duelos ao meio dia na rua principal da cidade, aqui o atirador não combina, mas surpreende a vítima. A morte em “Os Imperdoáveis” não é com glamour, mas sorrateira, pode acontecer para qualquer um, até para os que acreditam não merecer esse destino.

Cinema Drops

“Matar um homem é uma coisa infernal, você tira tudo que ele foi e tudo aquilo que poderia ser”. A frase, dita em certa altura do filme, resume o desperdício que é a morte de um ser humano. “Os imperdoáveis” mostra que muitas vezes a principal vítima pode ser aquele que puxou o gatilho.