Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

Alguns filmes deveriam ter mais sorte. Bons títulos, por vários motivos, passam despercebidos. A vantagem é que um filme sempre vai ser novo para quem o assiste pela primeira vez, dessa forma “Os donos da Noite”, dirigido por James Gray, deve ser um dos melhores filmes que poucas pessoas ouviram falar e assistiram, mas sempre há tempo.

1988. Bobby Green (Joaquin Phoenix) é o popular gerente da boate El Caribe, cujo dono é um gângster russo situado no Brooklyn. Bobby tem diversos policiais em sua família, entre eles seu irmão Joseph (Mark Wahlberg) e o pai Burt (Robert Duvall), mas tenta esconder esta ligação no trabalho. Com o tráfico de drogas aumentando em Nova York, Bobby tenta manter uma distância saudável do dono da boate em que trabalha, que passa a ser investigado por Joseph. Essa sinopse, retirada da internet, parece entregar a trama de um filme estrelado por Steven Seagal, mas não se engane, “Os donos da noite” é biscoito fino, o tipo de filme que o cinema americano deixou de fazer, tanto que foi comparado aos grandes clássicos feitos na década de 70, filmes como Operação França e Serpico.

Há uma diferença entre clichê e arquétipo, o primeiro deve ser evitado, mas o segundo, quando usado corretamente, resulta em grandes filmes. Aqui conta-se a velha história de dois irmãos que competem para ocupar o lugar do pai. Há lealdade, vingança, traição, os típicos ingredientes que pertencem ao gênero policial, mas o que diferencia esse filme de tantos outros são os conflitos familiares e internos dos personagens. James Gray, assim como os seus filmes, não é conhecido do grande público, mas é seguramente um dos melhores diretores americanos em exercício e constrói em “Os donos da noite” cenas tensas como há tempos não via. Sorte de quem assistir.