Por: | 16/11/2011

Você está em casa, se prepara, pega o carro (no meu caso vou a pé mesmo), vai até o shopping, enfrenta fila, compra pipoca, mais fila, espera. Entra no cinema, come a pipoca antes de começar o filme, sai e compra mais, enfrenta fila novamente e se prepara para duas horas de ilusão. Qual a necessidade disso? Falar sobre as motivações do público em ir ao cinema sempre gerou muitas análises e discussões. Mas o que me deixa intrigado é analisar o contrário. Gosto de pensar nas pessoas que enfrentam tudo isso, mas entram na sala de projeção para conversar durante o filme.

Qual o problema dessas pessoas? Elas devem pensar: eu vou ao cinema, tem um filme passando numa tela gigantesca, um monte de gente olhando para essa tela, talvez por que tenham interesse no que ela passa, mas eu não. Eu sou especial. Eu converso com a pessoa que estava conversando antes de entrar no cinema, entro para conversar mais um pouco, falar sobre qualquer coisa e se der tempo ainda vejo o filme. Quer conversar no escuro? Tranque-se num quarto e apague a luz. Pronto.

E o cara que coloca o pé sobre a cadeira da frente? “Ok. Já vimos seu Nike, pode baixar agora, campeão”. E o celular no cinema? Esse é velho conhecido, mas se antes as pessoas falavam, agora elas atualizam o Facebook, ou twittam. Ou seja, alguém do seu lado tira uma verdadeira lanterna do bolso e ilumina a área para responder alguma coisa. E as pessoas que jantam no cinema? Sério. Já vi um cara que fez uma refeição completa, até yougurte ele tomou. Mas o pior é o barulho dos sacos plásticos dos salgadinhos, em mãos treinadas se transformam em instrumentos de percussão poderosos. Tirando tudo isso, ir ao cinema ainda é uma diversão. Afinal, não estamos em um velório: calor humano, risos e comentários fazem parte desse ritual. Mas educação sempre ajuda, até os Muppets sabem disso.