Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

Namorados Para Sempre Hollywood vende sonhos e não ensina a sofrer. Grande parte dos filmes românticos trata da conquista, do flerte, mas poucos apresentam o que acontece depois que o mocinho beija a mocinha. O que de fato pode ocorrer durante o: “e foram felizes para sempre?”

Namorados para Sempre conta a história do casal Cindy e Dean. Movendo-se de forma fluída entre o passado e o presente do relacionamento, entendemos como os dois se conheceram e acompanhamos sua atual desintegração. Em um determinado momento do filme, um personagem pergunta a outro: “como é quando você se apaixona?”. A resposta é seca, sincera: “acho que nunca descobri. Talvez no começo do casamento com seu avô”. Há nesse rápido diálogo as duas teses que o filme discute: a do que “poderá ser” e a do “que se tornou”.

Como confiar nos sentimentos se eles podem desaparecer? A parte mais poderosa do filme é o tipo de coisa que só o cinema consegue apresentar. Através de montagem paralela das cenas, o mesmo símbolo, um beijo, é usado com pesos e medidas diferentes. Em um momento aproxima, noutro afasta. Como um remédio amargo, Namorados para Sempre pode deixar um gosto ruim e nem saberia dizer se cura alguma doença, mas a dose parece ser necessária para qualquer pessoa.

Hollywood até pode vender bem o seu mamão com açúcar, mas são filmes como Namorados para Sempre que reproduzem a realidade, aquela coisa chata que o cinema às vezes esquece.

 

Obs: O título do filme em português não reflete bem o seu espírito. “Blue Valentine”, o nome original, pode ser compreendido como um relacionamento triste, um “sad valentine”.