Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

Incêndios (Direção: Denis Villeneuve)

 

Alguns filmes divertem, outros perturbam profundamente. Não falo aqui dos de terror, os que dão sustos quando algo pula na tela, mas sim dos que tiram o espectador de um lugar comum, que despertam uma vontade de falar, de se informar, ler e de discutir. “Incêndios” (Direção: Denis Villeneuve), que concorreu ao Oscar 2011 de melhor filme estrangeiro, encaixa-se na segunda categoria. Ele é de tirar o sono.

Na leitura do testamento de sua mãe, os gêmeos Simon e Jeanne descobrem que eles têm um irmão e que o pai, que os dois achavam que havia falecido, está vivo. Começa aí a jornada dos filhos pelo passado da mãe na tentativa de encontrar seus novos parentes. As descobertas serão dolorosas para ambos.

O ritmo lento de alguns momentos contrasta com períodos intensos. O final revela um ato de violência máximo, não consigo imaginar algo mais extremo. Não que seja com sangue e tiros. A violência vem de uma constatação. É dito que a arte serve para lembrar o melhor e o pior do ser humano, “Incêndios” faz isso com maestria. A revelação final fica na memória e incomoda, mas isso, acredite, está longe de ser ruim.

O começo do filme, embalado pelo Radiohead, já te coloca no clima.

Um filme triste, um filme perturbador, um filme que merece ser visto e discutido.