Por: Isah Sanson | 21/12/2011

filhos da esperançaDificilmente quando falo dos filmes que admiro eu recorro aos aspectos técnicos. Não que não sejam importantes, mas não me interessa, por exemplo, a fotografia de um filme por si só. Ela deve ser bonita, mas o que busco é uma emoção, um sentimento. Filhos da Esperança, ao contrário, ficou gravado na minha memória justamente pela “engenharia” de alguns planos-sequência complexos e geniais. Mas, como boa obra que é, nem só de fotografia o filme vive.

O ano é 2027. Não se sabe o motivo, mas as mulheres não conseguem engravidar. O mais novo ser humano morreu aos 18 anos e a extinção da humanidade é uma possibilidade real. Theodore (Clive Owen) é um ex-ativista que é apresentado a uma situação inesperada e ali tem início a sua jornada que pode mudar esse cenário. Contar mais seria estragar o filme.

Esqueça carros voadores e roupas coloridas, aqui o futuro é assustadoramente real. Alfonso Cuarón, o diretor, mostra um mundo cinza e de extrema agitação política. A fotografia, detalhe que comentei acima, tem um caráter documental, onde a câmera muitas vezes se afasta do protagonista e mostra o contexto social. Soma-se a isso intensos planos-sequência (quando não há corte) que provocam uma imersão em determinadas cenas de uma forma que poucos filmes conseguem.

O longa, apesar dos elementos de ação, é profundamente político e com metáforas cristãs, mas não espere um filme religioso. Filhos da Esperança é de certa forma uma excelente pedida para o Natal, época do ano que, ao menos em teoria, aprendemos a olhar com respeito outras pessoas, tratando-os como indivíduos e não objetos. Essa história, mesmo situada no futuro, nunca deixará de ser necessária e atual.

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