Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

ChavesO texto desta semana não fala sobre cinema, mas em muitos casos Chaves consegue ser superior a muitos filmes. Gosto tanto das histórias do menino do barril que há tempos preparava um texto, quase que um agradecimento. O curioso é pensar como este programa televisivo filmado no México pode fazer tanto sucesso, afinal foi feito com poucos recursos, cenários que utilizavam isopor aos montes e um ator de 40 anos que interpretava uma criança de 08. Roberto Gómes Bolãnos, ator/roteirista que deu vida a “Chavo del 8”, recebeu no seu país a alcunha de Chespirito, algo como o pequeno Shakespeare, tamanha era a qualidade de seus textos. E é justamente nos roteiros que reside a maior qualidade do programa.

O humor utilizado é atemporal e não é delimitado pela fronteira do país. Há referências ao México, mas grande parte se concentra em situações que ocorrem, ou podem acontecer, em qualquer parte do mundo (o seriado é exibido em 95 países). Existem ainda arquétipos muito bem representados: o garoto mimado, o bom malandro, a mãe protetora… A inocência de Chaves, o personagem, é o fio condutor da trama, são seus atos e interpretações que nos conduzem a situações inesperadas. As gags repetidas também funcionam bem, como a pancada de boas vindas que o Sr. Barriga recebe, ou os tapas de Dona Florinda em Seu Madruga. E pra cada sorriso, há uma lágrima. Lembram do episódio onde o Chaves é acusado de ser ladrão? Triste é pouco.

E de todos os personagens, em minha opinião, Seu Madruga é o melhor. Interpretado pelo excelente Ramón Valdéz, o bom malandro da vila, devendo religiosamente seus quatorze meses de aluguel, consegue ser carismático mesmo quando nervoso e apesar das adversidades é o personagem com o melhor coração, sempre disposto a ajudar e dividir o pouco que possui. Madruga era dono também das melhores frases do seriado: “Não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar”, “Não existe trabalho ruim; o ruim é ter que trabalhar”, “Se soubesse que tinha mandado um idiota fazer isso tinha ido eu mesmo”. Obrigado, Chavo!

Para terminar deixo uma cena que ainda me faz rir. Isso depois de 159 reprises.