Por: | 23/11/2011

Se tem algo que o Facebook ensinou é que expressar os sentimentos parece fácil. Há em muitos usuários uma busca constante de se expressar e se definir, criando o que alguns psicólogos definem como “Felicidade de Mural”. Contudo, revelar a verdade que se esconde na nossa alma, não essa com o verniz das redes sociais, cabe às grandes obras, seja da literatura, ou do cinema. Amantes, dirigido por James Gray, entra nessa categoria, comprovando que a boa arte é parte verdade, parte espetáculo.

Leonard, interpretado por Joaquim Phoenix, é um homem dividido entre duas belas mulheres que são totalmente diferentes. Sandra (Vinessa Shaw) representa segurança, enquanto Michelle (Gwyneth Paltrow) simboliza liberdade, o desejo. O filme não facilita a vida de Leonard, já que ambas as mulheres são inteligentes, sensíveis e bonitas. O dilema do personagem é forte e é nesse detalhe que o filme se diferencia de muitas obras que mostram triângulos amorosos. O final apresenta uma situação ambígua, um desfecho que considero perfeito em sua dualidade, onde nossa interpretação revela como nos posicionamos em relação ao que acabou de acontecer na tela. Alguns consideram o destino do protagonista como algo bom, para outros trata-se de um acontecimento extremamente triste.

A citação ao Facebook no começo do texto não é gratuita. Uma das melhores metáforas que o filme apresenta é a parede do apartamento dos pais de Leonard, onde há uma dezena de fotos de família. Assim como alguns perfis de redes sociais, essa parede, para Leonard, estampa uma felicidade projetada, onde cada imagem não expressa um sentimento real, mas sim um propósito. Leonard deseja uma fuga, mas talvez o seu destino seja um lugar nessa parede. E se isso é bom ou ruim, cabe ao espectador decidir.