Por: Sistema Por Acaso | 07/12/2011

Amadeus, filme vencedor de 08 Oscars, narra a trajetória de Antonio Salieri, músico que viveu na mesma época de Wolfgang Amadeus Mozart. Poucos conhecem Salieri, mas todos lembram de Mozart. Isso de certa forma já ajuda a entender o poder e os temas contidos nessa excelente obra dirigida por Milos Forman e escrita por Peter Shaffer.

Salieri é um compositor devotado, ao tocar algumas notas em seu piano sempre lembra de agradecer a Deus pela inspiração. O músico acredita em sua disciplina e busca ser um instrumento do divino, levando ao público melodias dignas do criador do universo. Mozart, aqui retratado como uma espécie de estrela do Rock, por sua vez é insolente, dono de uma risada irritante, mundano e com um talento que o diferencia de qualquer músico que apareceu até então.

Salieri, interpretado por F. Murray Abraham, não compreende como tamanha graça pode ter sido oferecida a alguém como Mozart. O músico culpa Deus e cria um plano que é ao mesmo tempo terrível e totalmente compreensível: matar Mozart. Compreender não é concordar, tanto que aí reside a grande força desse filme, o de criar um personagem que você não necessariamente simpatiza, mas cria forte empatia a ponto de entendê-lo.

Amadeus é um festival de cenas antológicas e bem construídas, sem contar na trilha sonora que contêm, como Salieri já o sabia, alguma das mais belas músicas compostas pelo homem. É, talvez, o filme que mais me assusta e fascina. Toda vez que o assisto lembro que muitas vezes o talento não acompanha a paixão, onde o fato de você gostar de algo não o torna necessariamente bom nisso.