Por: Ricardo Daniel Treis | 09/03/2017

Hoje, 9 de março, é celebrado o Dia Mundial do DJ. Assim como pra mim, acredito que para a grande maioria dos véios leitôs quiridos que estão aí do outro lado, foi ninguém menos que Marcelo Luís o primeiro profissional do gênero com quem tiveram contato… Foi?

Desde os meus 16/17 anos (acho) o cara já tava lá na Notre, lacrado, comandando a pista da cabine de vidro que ficava no mesanino, à esquerda do palco. O cara tocou lá por nada menos que nove dos 11 anos de existência da casa (ca-ra-lha!).

Eu lembro de uma porrada de situações que rolaram na “casa dos grandes eventos” (o slogan da Notre), que volta e meia me deixavam com umas dúvidas cabulosas… Conversando com o agora amigo, resolvi, tirar algumas delas a limpo. Chega junto nessa:

Eu – Daonde surgiu o Marcelo Luís?
Marcelo – Sou de Londrina, Paraná, vim pra Jaraguá do Sul em 1992 pra trabalhar na Stúdio FM. Nos fins de semana eu tocava no Sunshine (Lidão), e foi dessa que o César (dono da Notre) me convidou pra tocar na balada dele. E eu fui. Entrei na Notre em 1996.

"Nos horários e locais de costume", Marcelão bombava a pista do Líder nos seus primeiros dias em Jaraguá. Foto: Luciano Piske

“Nos horários e locais de costume”, Marcelão bombava a pista do Líder nos seus primeiros dias como DJ em Jaraguá. Foto: Luciano Piske

Eu – Qual era teu processo pra escolha das músicas da noite? Aquilo era o mix mais eclético do mundo… tipo Hanson seguido de É o Tchan, Red Hot Chilli Peppers e DJ Bobo.
Marcelo – Cara, a gente sempre diz que “a pista é o termômetro do DJ”. Se a galera tá agitando, então tá tudo bem, e naquela época o lance era experimentação. Se tocava rock a galera do pagode odiava, se tocava pagode, a galera do rock ficava irritada, então a gente tocava de tudo…

Eu – Tocava de tudo e assim agradava a todos…
Marcelo – É, nem tanto… Hahahaha! Mas esse período foi uma escola muito foda.

Eu – É, tenho que te contar, também não era muito fã da mistura…
Marcelo – Cara, teve uma vez que eu saí da festa e meu carro tava sem as placas e os retrovisores… Alguém arrancou tudo. Acho que devo ter conquistado uma inimizade naquela noite, hahahaha.

Na famosa cabine de comando, lá por 2002. Moda de época não se discute, blz? Foto: Max Pires

Na famosa cabine de comando, lá por 2002.Foto: Max Pires

Eu – Mas então qual teu gênero musical favorito?
Marcelo – É o que a galera dança, digo como profissional; mas no gosto pessoal, curto muito reggae.

Eu – Foi por isso que o Papa Winnie veio quatro vezes pra Jaraguá do Sul, então? Tinha um boato que os caras já tinham até uma casa lá na Vila Lenzi, de tanto que voltavam pra cidade.
Marcelo – Hahahaha, não… Não tive influência nisso.

DJ Jonas (ainda não DJ na época), junto a integrante do Papa Winnie + um amigo. Foto: Max Pires

DJ Jonas junto a integrante do Papa Winnie + um amigo. Foto: Max Pires

Eu – E qual era a música que você mais curtia tocar na Notre?
Marcelo – Diria que “Clarity of Mind”, do Spy VS Spy é o tema da Notre.
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Outra que rolava muito era “Your Love”, do The Outfield.
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Eu – Falando em shows, me ajuda ai a lembrar a galera dalguns loucos que rolaram…
Marcelo – Caralho cara, veio muita coisa… Paralamas, Akundum, Capital Inicial, Fernanda Abreu, Nenhum de Nós, Carrapicho, Débora Blando, Nadigueto, CPM 22, Outfield, Ira!, Charlie Brown, Raimundos, Information Society…

Eu – E qual foi o que mais veio?
Marcelo – Acho que quem mais tocou aqui foi Engenheiros.

Raimundos na Notre: esse dia foi louco. Foto: Max Pires

Raimundos na Notre: esse dia foi louco. Fotos: Max Pires

Eu – Conta pra gente uma recordação foda que você tem da Notre.
Marcelo – Ah, tem muitas… Mas um momento que me marcou foi o show do Cidade Negra. Eu gosto de reggae, e sempre gostei dos caras. Quando comecei a trabalhar na Notre, sempre ficava viajando, pensando “Pô, um dia podia rolar um show deles aqui”, e então certa vez o César contratou os caras. Foi demais, a realização de uma vontade pessoal e profissional. Foram horas de show, e no final eu só conseguia pensar “Caralho, já acabou?”.

"A Fernanda Abreu foi uma das artistas mais queridas e simpáticas que tive o prazer de encontrar na Notre". Foto: Acervo Pessoal

“A Fernanda Abreu foi uma das artistas mais queridas e simpáticas que tive o prazer de encontrar na Notre”. Foto: Acervo pessoal Marcelo Luís

Eu – E fala de umas tretas, tem algum segredo que ninguém nunca soube e que dá pra contar agora?
Marcelo – Hahahaha, cara, não sei… Tinha uma parada que eu sempre fazia, que era pegar CD riscado, quebrar em pedaço e jogar pra galera. A moçada pirava, eu dava uma doido e tal… Mas na verdade eu guardava aqueles CDs pra trocar, e quebrava algum velho e ruim que tivesse sobrando pela cabine, hahaha.

Eu – Conta mais ai, é viagem minha ou rolava de propósito um som caidêra no fim da noite, pra tocar a galera embora?
Marcelo – Ah cara, tinha vezes que não tinha jeito… Fim da madrugada, pista vazia e alguns “resistentes” lá… A gente dava uma ajudinha mexendo no playlist, hahahaha.

Eu – Tiozão que cuidava do banheiro era o primeiro a fechar as portas… 
Marcelo – Ah, o sêo João, grande personagem… Quem cuidava do banheiro feminino era a dôna Maria.

Pista socada em noite com show na Notre. Foto: Marcelo Luís / Acervo pessoal

Pista socada em noite com show na Notre. Foto: Marcelo Luís / Acervo pessoal

Eu – Pra fechar, qual festa você achava a mais maneira da Notre?
Marcelo – Ah cara, todas! Mas as que mais bombavam eram a Festa Brega e a Festa a Fantasia.

Eu – Cê acha que dá pra fazer dessas de novo hoje em dia?
Marcelo – Sem dúvidas ia dar uma galera, festas temáticas são as que o público mais se diverte… Acho que essa foi a receita pra termos tantas memórias boas da Notre. 🙂

Noite do Inverso: como não ser da zoeira? Foto: Max Pires

Noite do Inverso: como não ser da zoeira? Foto: Max Pires

Momento triste pra memória, o dia que derrubaram o prédio da Notre... Hoje é shopping. :)

Momento triste pra memória, o dia que derrubaram o prédio da Notre… Hoje é shopping. 🙂


Notre Money, baladas onde se vendia cigarro, mesaninos VIP, cuba de guaraná com St. Remy, show da Débora Blando, Garota Homago… Notre é só lembrança doida, não? Dizaê, qual é a primeira que te ocorre?

Ah, sim, e pra quem quiser contratar, Marcelão ainda toca em baladas. Pra que estiver a fim de mandar ver numa balada revival (ou qualquer outro gênero), é só falar com o cara. Taqui a página dele no Facebook. 🙂

E quem ai tá morrendo da saudade, se liga então nesse especial de fotos aqui > Túnel do Tempo: Especial Notre – Noite de Preto, Festa Brega e Noite do Inverso em 2002!

E mais: entrevista em vídeo com o Paulico, contando também tudo que ele lembra da Notre.