Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

Notícia trágica do final de semana (“Ciclista morre em acidente de trânsito na rua Walter Marquardt“) pede uma abordagem ao assunto. Pedalar na contra-mão vai contra o Código Nacional de Trânsito e, apesar do senso comum dizer o contrário, só aumenta a possibilidade de acidentes. Puxei material da turma do Rodas da Paz, confiram.

Os motivos para não se pedalar na contramão podem ser sintetizados em 3:

1) O Código Nacional de Trânsito reconhece a bicicleta como veículo, igualando-a a carros, caminhões e motos no direito de usar as ruas. E como os demais veículos, o Código estabelece que a bicicleta deve andar no fluxo do trânsito, ou seja, na mão. Pode parecer coisa de burocrata que nunca andou de bicicleta, mas é a lei que temos e devemos respeitá-la para poder exigir respeito dos outros veículos. Exigir, por exemplo, que os motoristas ultrapassem com distância mínima de 1,5 metros, ou que tenhamos, nas vias, as mesmas preferências dos demais veículos. Temos direitos e deveres.

2) O segundo motivo decorre de estudos já comprovados: andar na contramão dá somente uma falsa sensação de segurança e controle do tráfego. Isto está diretamente relacionado com a velocidade do carro. Infelizmente, você nunca terá tempo suficiente de reação se um carro vier para seu lado em fração de segundos, a mais de 60km/h. Abaixo desta velocidade, por outro lado, se houver uma colisão frontal entre carro e bicicleta, haverá somatório das duas velocidades (pelas leis da Física) o que será muito pior para o ciclista. Nas vias onde os carros andam a 50km/h ou menos, se o carro pegar o ciclista por trás, as chances de sobrevivência são maiores do que se houver uma colisão frontal. Então, em pistas de baixa velocidade é mais seguro para o ciclista pedalar na mão. Repetimos que, em pistas onde os carros trafegam a 60km/h ou mais, esta conta não faz sentido, pois qualquer tipo de colisão (frontal ou por trás) será sempre fatal para o ciclista, que nunca terá tempo suficiente para reagir e “fugir” de um acidente. Então, se não há razão de segurança para se andar na contramão, prevalece a questão do respeito à lei.

3) Mas só o respeito à lei não é tudo. Mais importante, é que você tem que pedalar sabendo que há outros atores em sua volta. Quando anda de bicicleta pela rua, você encontra motoristas, pedestres, outros ciclistas, carroceiros, etc. Ou seja, você não pedala sozinho nas ruas. Por isto, deve haver regras mínimas de boa convivência, pois só assim teremos paz e respeito no trânsito. Este é o terceiro motivo: pedalar é um ato feito em sociedade. Ao andar na contramão, o motorista vê você como um “infrator”, e isto geralmente causa irritação. Em alguns motoristas, causa até “vontade de punir”, e eles buzinam, e jogam o carro em cima…. Dependendo do local e situação, pode causar também sustos e até acidentes, pois o motorista nunca espera que algo venha contra o fluxo do trânsito. Se você vem na contramão, de bicicleta, e cruzar na frente do carro que está parado tentando entrar na via principal, pode ser colhido pelo motorista que NÃO vai olhar no sentido contrário, da direita. Lembre-se, também, que há pistas sem acostamento, ou com acostamento estreito. Nestas pistas, um ciclista que anda na mão pode encontrar outro ciclista vindo na contramão. Qual dos dois deve desviar e ir para o meio da pista?

Dizemos sempre que um trânsito melhor se faz com prudência, bom senso e respeito ao próximo: o ciclista respeita os pedestres, os outros ciclistas e os motoristas; e todos eles respeitam o ciclista.