Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

Um dos destaques do Diário Catarinense de sábado, a matéria é de Genielli Rodrigues:

O paraciclista Eduardo Franco Sanches, de 18 anos, já é um menino de ouro. Aos 11 anos, teve o braço direito amputado depois de ter sido atropelado por um carro, mas nunca desistiu do sonho de ser um atleta.

O garoto tímido, mas com sonhos ousados começa a traçar um caminho de quatro anos de preparação, para que sua brilhante história ganhe um brilho a mais, uma medalha de ouro, nas Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Nascido em Pontes Lacerda (MT), Eduardo veio morar em Jaraguá do Sul há um pouco mais de um ano. Apaixonado por bicicletas, primeiro desafiou as manobras do mountain bike, mas como a modalidade não é paraolímpica, foi orientado a mudar. Aos 15 anos, descobriu o ciclismo.

— O esporte melhorou muito a minha autoestima. Em cima da bicicleta esqueço um pouco do que aconteceu comigo — confessa.

Com a superação ainda presente, a dedicação aos treinamentos fazem com que a deficiência nem seja percebida. Em cima das duas rodas, ele domina a bicicleta como ninguém e, treinando sozinho, já conquistou três etapas do Brasileiro de Paraciclismo, na categoria C5 (deficiência mínima), e um bronze na Volta de Brusque, pelo Estadual, na categoria júnior (competindo com ciclistas sem deficiência).

Neste fim de semana, Eduardo tenta mais uma conquista, desta vez na Copa Brasil de Paraciclismo, em Santos.

O pontapé
Foi em Brusque que o professor de educação física e ciclista de competição por dez nos, Rogério Müller, conheceu e se surpreendeu com Eduardo.

— Conheci ele em uma prova difícil que ele largou na categoria normal. Todo mundo perguntava como vai conseguir? Ele deu um show e subiu no pódio — relembra.

Para o treinador, Eduardo tem um grande potencial a ser explorado.

— A garra é absurda. Tem uma técnica impressionante. Ele pedala de pé como se fosse com os dois braços — admira.

— Enquanto um ciclista sem a deficiência faz força com os dois braços, ele depende da força do abdominal, do tronco e de muita habilidade — explica.

Até conseguir realizar o sonho, Eduardo terá um longo caminho pela frente. E o professor pretende pegar firme. Na programação estão seis treinos por semana. Rotina que pode até ser exaustiva, uma vez que Eduardo trabalha na produção de uma empresa da cidade, mas, se tudo correr como o planejado, o sacrifício será recompensador.

— Agora que tenho o apoio que preciso, quero me tornar um paraciclista profissional e participar da Paraolimpíada — conta com brilho nos olhos, assim como a tão desejada medalha de ouro, que espera conquistar em 2016.