Por: João Marcos | 2 anos atrás

Muito associada (principalmente no Brasil) com dias quentes, engana-se quem ainda acredita que a cerveja é uma bebida de verão. Obviamente eu não sou a pessoa mais indicada para explicar tecnicamente o porquê para vocês, e por conta disso, troquei uma ideia sobre o tema com o Guilherme Fogaça, lá do Empório Richter, e o resultado foi esse artigo lindão que vai ai na sequência para vocês.

Então amigos, cheers!

Samples of Beer on a bar in a Brew Pub.

O mundo das cervejas artesanais é imenso e não para de crescer. Diferente do que muitos podem pensar, o inverno combina muito bem com diversos estilos de cervejas.

Se no verão cai muito bem aquela cerveja clara, refrescante, de teor alcoólico mais baixo, corpo leve e alta drinkability, os dias mais frios são perfeitos para apreciar uma cerveja mais encorpada, com uma graduação alcoólica um pouco mais elevada (podendo chegar próxima àquela dos vinhos) e normalmente mais escuras.

As cervejas, dentre as várias formas de classificação, podem ser separadas por “famílias”: Lager, Ale e Lambic, de acordo com o tipo de fermentação.

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As cevejas Lager costumam ser mais leves, menos aromáticas e tem nas Pilsen seu exemplo mais conhecido.

A família das Ale reúne o maior número de estilos catalogados, permitindo uma grande quantidade de diferentes cervejas, desde as conhecidas Pale Ale e Stout até as encorpadas Barley Wine e Strong Scotch Ale.

Lambic, por fim, é uma família de cervejas bem peculiares, produzidas na Bélgica com um sistema de fermentação espontânea, sem a inoculação de leveduras controladas, produzindo cervejas mais ácidas que lembram vinhos e espumantes.

Dentre essa enormidade de estilos cervejeiros, encontramos algumas bastante apropriadas para curtir um dia mais frio, que podem ser chamadas de Cervejas de Inverno, ideais para serem degustadas com calma, lendo um bom livro ou apreciando uma companhia especial.

Essas cervejas apresentam uma gradação alcoólica maior (variando de 6 a 12%) e sua cor, embora possa ser clara, costuma se mostrar entre o âmbar, o cobre e o marrom escuro.

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Em resumo, são mais encorpadas, mais intensas e aromáticas, menos carbonatadas, e ficam melhores quando servidas em copos largos e não muito geladas.

As cervejas de inverno apresentam aromas bastante complexos, derivados do malte (como caramelo, tostado, defumado, trufado, cacau, chocolate, nozes, castanhas, avelã) e também do processo de fermentação (frutas secas, compotas, doces).

Estilos que podem se enquadrar como cervejas de inverno: Bock, Doppelbock, Eisbock, Weizenbock, Barley Wine, Imperial Stout, Strong Scotch Ale, Dubbel, Tripel, Quadrupel e outras.

Selecionamos a seguir alguns estilos que se encaixam nesse interessante conceito de cervejas de inverno, indicando um rótulo que pode ser apreciado para conhecer melhor essa experiência.

Rauchbier: cerveja produzida com malte defumado, tem aroma que pode lembrar bacon, presunto, linguiça, turfa, madeira, notas terrosas e aromas tostados. Inclusive por essa característica, harmoniza muito bem com embutidos, feijoada e carnes fortes.

A Aecht Schlenkerla Marzen é um excelente rótulo para conhecer essa preciosidade.

A Aecht Schlenkerla Marzen é um excelente rótulo para conhecer essa preciosidade.

Strong Scotch Ale: conhecida como wee heavy, tem caráter maltado como característica principal. De coloração marrom castanho e reflexos rubi, é límpida, apresentando espuma bege e pouco persistente. Os aromas e sabores equilibram a presença do malte, destacando notas de caramelo, tosta, ameixas, passas e frutas secas. Amargor baixo.

A Bierland Manobier é uma digna representante do estilo.

A Bierland Manobier é uma digna representante do estilo.

Quadrupel: estilo belga, muito valorizada quando recebe o selo Trapista, que indica se tratar de uma cerveja fabricada por monges, dentro dos conventos. É uma cerveja forte, complexa, alcoólica, na qual predominam o malte e o frutado da fermentação, com aroma de frutas secas, nozes. A La Trappe é uma das poucas cervejas Trapistas fabricadas fora da Bélgica e sua Quadrupel merece ser apreciada.

La Trappe Quadrupel

La Trappe Quadrupel

Eisbock: um estilo bastante especial, normalmente resultante do congelamento parcial da água de uma Doppelbock para potencializar a força alcoólica (que fica na faixa dos 12% de álcool). A Aventinus Eisbock da Schneider é uma cerveja de trigo produzida segundo esse estilo, gerando uma cerveja encorpada, sensível dulçor, escura, alcoólica, com atributos de malte.

Schneider-Aventinus-Weizen-Eisbock

Meudeus cara, que artigo daora! Guilherme monstro, mandou bem demais como sempre.

Empório Richter possui uma das maiores cartas de cerveja da cidade e pra quem, assim como eu, ficou morrendo de vontade de provar alguns desses rótulos, a casa oferece não só um espaço exclusivo, como também um atendimento cordial e especializado a seus clientes. Faça uma visita ao Empório, nem que seja só para bater um papo, tirar dúvidas ou pedir sugestões. A equipe da casa terá todo prazer em atendê-lo.

A loja fica na rua Padre Francken, nº 156, Centro (rua do terminal urbano, o ponto é bem pertinho do Madalena). Telefone: 3054-0098.

O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h, e sábados das 9h às 13h.


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