Por: Gabrielle Figueiredo | 17/02/2016

O bullying é um termo americano relativamente novo para o que muitos brasileiros sentiram na pele na adolescência: um apelido ou uma “brincadeira” boba que parece ser engraçada, mas apenas para quem a faz e seus amigos. Não para a vítima.

O assunto, que era tratado como banal entre professores, pais e pelos próprios adolescentes, começou a ganhar maior visibilidade de uns anos pra cá e deu voz aos que menos eram ouvidos: o intimidado. No Brasil, o bullying não é considerado crime e os esforços de ONGs e educadores se concentram em diálogos e conscientização.

Mesmo assim, muitas pessoas não sabem bem o que é bullying e como agir em relação a esse tema. Foi com este objetivo que a maior rede social do mundo, o Facebook, lançou nesta terça-feira (16) a Central de Prevenção ao Bullying no Brasil, uma iniciativa que a rede social criou em 2013 e está presente em mais de 50 países, como Índia, Estados Unidos, México.

central bullyng facebook

Foto: Divulgação

A Central é uma plataforma de apoio a quem sofre bullying e quem o faz, ou seja, vítimas e agressores, com dicas práticas sobre como se comportar nestas situações. Além de falar diretamente aos jovens, a central tem seção para pais e responsáveis, que terá informações que ajudarão a entender se o é o intimidado ou o agressor e sugestões de como lidar com ele, e para educadores, com dicas para detectar o bullying entre alunos e sugestões de estratégias para abordar o problema.

A plataforma também dará informações e detalhes de contato com a UNICEF e o Safernet, organização não governamental que combate crimes cibernéticos com o Ministério Público, parceiros da iniciativa. O Facebook disponibiliza ainda recursos da própria rede social para denunciar conteúdos, configurar a privacidade do perfil e tomar medidas de segurança. Mas, a ideia da Central, segundo Bruno Magrani, Diretor de Políticas Públicas do Facebook no Brasil, é prevenir que o bullying aconteça.

A ideia, segundo Rodrigo Nejm, diretor de educação da Safernet, é investir na quebra de silêncio e na discussão do tema. “Não é proibir [uma brincadeira], é refiná-la. É saber até onde vai esse limite da zoeira”, disse Nejm, acrescentando que o material tem como público tanto a vítima, quanto o agressor. “[Precisamos] conversar com quem pratica o bullying, saber que ele pode pedir desculpas e mudar a postura.”

Gabriela Mora, oficial do programa de cidadania dos adolescentes do UNICEF, conta que o material foi traduzido e adaptado para a realidade brasileira. “Nos Estados Unidos, uma das sugestões é conversar diretamente com o agressor. Aqui, após conversar com adolescentes, vimos que seria inviável esta dica, seria expor mais a vítima”, conta. “Os adolescentes , pais e professores brasileiros vão encontrar no material um guia com dicas efetivas de como lidar com esse tipo de comportamento e fomentar uma atitude de diálogo e respeito à diversidade.”

Cyberbullying

É difícil distinguir bullying de uma simples brincadeira. Mas, na verdade, brincadeira é quando todos os envolvidos se divertem. O guia diz:

“O bullying (ou intimidação sistemática) se manifesta como violência física ou psicológica em atos de intimidação, humilhação ou discriminação.”

O cyberbullying é uma extensão destas intimidações. Se o adolescente apenas enfrentava o problema na escola, quando o bullying chega às redes sociais o problema continua ao longo do dia.

De acordo com Bruno Magrani, do Facebook, a plataforma monitora diariamente denúncias de conteúdos de assédio, discriminação e bullying. “Temos uma equipe global e brasileira para monitorar todas as denúncias. Estamos trabalhando em iniciativas com foco em segurança baseadas na realidade brasileira e endereçadas a problemas reportados pela nossa comunidade.”

Apesar dos esforços para combater a discriminação, discurso de ódio e bullying, páginas que incitam o ódio a pessoas, animais ou a segregação por raça, orientação sexual, gênero, entre outras discriminações, demoram a sair do ar (quando saem).

Questionado sobre isso, o executivo do Facebook afirma que a rede social pune o dono da página que teve alguma postagem com conteúdo de discurso de ódio reincidente. “Não é algo simples de resolver”, conta. “Uma denúncia é igual a uma análise.”

“O pessoal de análise se depara com casos que você olha, eles podem parecer que têm algo errado, mas a política [de uso] não cobre. Então esse é parte de um processo que o Facebook está passando e que as equipes de análises tentam sempre se aprimorar: identificar essas sutilezas e aperfeiçoar essas políticas. (…) Você tem interpretação dessas páginas, mas outras pessoas não veem problema. É de caráter de subjetividade. Então o principal é ter políticas claras para ficar mais objetivo.”

O executivo acrescenta que o Facebook “continua ouvindo o que as pessoas têm a dizer” e que continua aberto ao diálogo. “O Facebook não quer que ninguém se sinta inseguro ou desconfortável na plataforma.”

Fonte: Brasil Post