Por: Raphael Rocha Lopes | 6 anos atrás

“João amava Teresa que amava Raimundo / que amava Maria que amava / Joaquim que amava Lili / que não amava ninguém. / João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, / Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, / Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes / que não tinha entrado na história.”

Essa é a famosa poesia “Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade. Causou muita polêmica e muitos comentários assim como “No meio do caminho” e “José”. Mas a conversa de hoje não é sobre os aspectos literários do grande poeta. E nem estou dizendo que ele faz parte de uma corja de rufiões. Longe disso. Mesmo suas poesias eróticas são interessantes, completamente diferente do grupelho a que me referi no título deste texto, que também poderia ser “Suruba política” ou “Segredos das alcovas de Brasília”.

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lilli, que parecia ser a mais descolada e não amava ninguém. Foi a única que se casou.

Ou na versão planaltina, Wilder Morais amava Andressa Mendonça que amava Carlinhos Cachoeira que amava Demóstenes Torres que não amava ninguém, apenas o poder. Andressa Mendonça viajou para a Europa fazer compras, Carlinhos Cachoeira foi preso. Demóstenes Torres se comparou a Jesus Cristo. Wilde Moraes se deu bem e virou senador. E o povo continua pagando a conta.

Wilder é considerado um dos empresários mais ricos de Goiás. Carlinhos não tem patrimônio para suportar seus gastos. Andressa acha que o atual marido é inocente. Demóstenes foi rifado do Senado e voltou a seu cargo público para ganhar R$ 22 mil por mês. E o povo continua pagando a conta.

Ninguém mais é ingênuo e todos sabemos que muitos dólares e reais correm nos bastidores políticos, em especial nos de Brasília. As notícias diárias confirmam esse fluxo financeiro. E isso ocorre no mundo inteiro; não é privilégio ou invenção do brasileiro.

O que incomoda de verdade, entretanto, é a desfaçatez e o cinismo dos nossos políticos. Na maioria dos países, aqueles pegos com a boca na botija têm vergonha na cara e saem da vida pública. Isso quando não se matam, utilizando-se do haraquiri. Alguns conseguem ficar no máximo quando se trata de escândalo sexual, e ainda com o apoio de suas mulheres.

No Brasil não. No Brasil o político ou funcionário público é pego com a mão na massa, o dinheiro na cueca ou o vídeo em rede nacional e diz que não é com ele. Ou pior, na melhor versão “mandem-me caixas de óleo de peroba”, dizem que o tal vídeo foi feito em outra gestão ou legislatura e não importa para a atual. Como se caráter e respeito ao povo se medisse de quatro em quatro anos. Igual cartão amarelo em campeonato internacional: zera antes das fases finais.

Infelizmente a cada dia que passa vemos mais proxenetas, como o tal Carlinhos Cachoeira, aparecendo, vivendo às custas das prostitutas que se tornaram alguns dos nossos políticos.

Que me perdoe Carlos Drummond de Andrade, mas “Quadrilha” também seria um bom título para o Ponto de vista de hoje.

Por Raphael Rocha Lopes