Por: Misael Freitas | 20/03/2017

Investigações da Polícia Federal mostram que a rede de restaurantes Madero foi pressionada a entrar no esquema fraudulento de pagamento de propinas instalados na Superintendência Agropecuária do Paraná e revelado pela Operação Carne Fraca. Em depoimento à Polícia Federal, representantes do Madero relataram episódios de extorsão e dificuldades para liberação de licenças sanitárias para funcionamento. Fiscais federais agropecuários chegaram a levar picanha, hambúrgueres e filé mignon da fábrica da empresa.

A versão dos funcionários foi confirmada nas investigações da Polícia Federal. Segundo o delegado federal Maurício Moscardi Grillo, que lidera as investigações, a empresa sofreu uma “situação de extorsão clássica, clara, evidente”.

“Dois fiscais exigiam propina para poder não embaraçar o funcionamento da empresa mesmo não havendo, pelo menos em tese, um motivo para isso. Então, criaram circunstâncias, começaram pedindo alimentos, picanha – por mais vergonhoso que seja – a ponto de ficar muito caro para a própria empresa ceder a picanha. Você imagina a quantidade que acontecia”, disse o delegado durante coletiva na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

As atividades da empresa, quando ainda tinha fábrica em Balsa Nova, chegaram a ser interrompidas por determinação de um dos fiscais envolvidos no esquema desmantelado pela PF na operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira (17). Segundo relatos, após sofrer pressão dos fiscais, a empresa acabou cedendo. Inicialmente, os servidores públicos se apropriavam de mercadorias do Madero: hambúrgueres e peças de carnes nobres eram levados por eles. O material era colocado no porta-malas do veículo dos próprios agentes.

Em nota para a imprensa, a rede se posicionou sobre o caso. Confira na íntegra:

“Referente a citação do Restaurante Madero na operação Carne Fraca, venho, em meu nome e em nome do Madero, dizer que me sinto imensamente orgulhoso e feliz por ter contribuído com a Polícia Federal, com a nossa disposição e com os nossos depoimentos explicitando as extorsões dos fiscais do Ministério da Agricultura em nossa empresa. Isto é o nosso dever como cidadãos brasileiros, pois ajuda a passar o Brasil a limpo, tornando-o um lugar mais digno e decente para que as nossas crianças cresçam e se alimentem de produtos e conceitos bons.

É no mínimo a nossa obrigação, seja como pais, empresários ou simplesmente como cidadãos brasileiros de bem. Temos que ter muita disposição e coragem neste momento que o Brasil dá esta virada, denunciando e colaborando com a polícia e com a justiça, sempre que estes bandidos e corruptos batam às nossas portas. Só assim vamos tornar este maravilhoso país um lugar que nos orgulhemos, e que possamos trabalhar cada vez mais com muita força e determinação, fazendo as nossas empresas e o nosso país crescerem cada vez mais”, diz a nota assinada por Junior Durski, presidente da rede.