Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás

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Para Gesiane Maristela Ludescher, 32 anos, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps II) é a sua segunda família. Usuária do serviço há cerca de dois anos, devido a um transtorno obsessivo compulsivo (TOC), ela conta que é muito bem atendida no programa e que as oficinas e grupos terapêuticos fazem muito bem a ela. Gesiane e mais cerca de cem pessoas caminharam pelo Calçadão da Marechal na manhã desta sexta-feira, lembrando do Dia Nacional Antimanicomial, que é comemorado no domingo, dia 18. Os usuários, familiares e profissionais da área tiveram por objetivo mostrar o trabalho desenvolvido na Saúde Mental de Jaraguá do Sul, e quebrar o preconceito que existe contra os usuários do serviço.

“Sofro preconceito por frequentar o Caps II. Alguns vizinhos falam assim: ‘você vai lá para a casa dos loucos?’. Isso acontece por falta de informação. Eles não sabem o que é TOC, nem o que se faz em um Caps”, lamenta Gesiane. A coordenadora da Saúde Mental de Jaraguá do Sul, Denise Thum, explica que quanto mais o serviço estiver à vista da sociedade e as pessoas se interessarem pelo assunto, menos preconceito haverá. “Também queremos reforçar a importância da luta pela extinção dos manicômios, que são, cada vez mais, substituídos por internações temporárias, somente para aqueles que realmente precisam ser internados”, explica a coordenadora. A Lei nº 10.216 de 2001 determina a extinção desse serviço.

Nos Caps, os usuários participam de oficinas terapêuticas, grupos de apoio, atendimento individual, tratamento com médico psiquiatra, entre outros atendimentos. Não se isolam da sociedade, continuam convivendo com vizinhos, família, amigos. Fazendo com que o tratamento seja mais eficiente. É o que preconiza o Ministério da Saúde, com o objetivo de humanizar, cada vez mais, o atendimento a pacientes com problemas mentais.

Em Jaraguá do Sul, a caminhada, em sua quarta edição este ano, teve como foco a humanização no atendimento. Frases como “Tratar sim, excluir não” e “Não quero ter razão, quero ser livre” eram estampadas em cartazes.

O secretário da Saúde, Ademar Possamai, anunciou que projetos como a construção de uma Unidade de Acolhimento 24 horas para usuários de álcool e outras drogas e de um Caps III 24 horas, com mais abrangência no atendimento a usuários com transtornos mentais, estão saindo do papel. A Unidade de Acolhimento 24 horas, por exemplo, está em fase de elaboração da licitação, já tem verba federal liberada e deve começar a ser construída até o final de junho deste ano.

Via PMJS