Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Percurso de um quilômetro serviu para chamar a atenção às dificuldades enfrentadas pelos cadeirantes Fotos: Eduardo Montecino/OCP

Percurso de um quilômetro serviu para chamar a atenção às dificuldades enfrentadas pelos cadeirantes
Fotos: Eduardo Montecino/OCP

Para ampliar o debate sobre a mobilidade urbana em Jaraguá do Sul com foco na infraestrutura das calçadas disponíveis, principalmente quanto às necessidades dos portadores de deficiências físicas, foi realizado na manhã de ontem um “cadeiraço”. Cerca de 10 cadeirantes e o presidente da Câmara de Vereadores, Arlindo Rincos (PP), participaram do evento. Rincos, utilizando uma cadeira de rodas, seguiu os demais, que deixaram a Casa Legislativa e seguiram pela Avenida Getúlio Vargas até a Praça Ângelo Piazera.

“Eu teria grandes dificuldades para superar os obstáculos que vocês enfrentam no dia a dia. Esse percurso, considerado fácil, foi extremamente difícil para mim”, declarou Rincos, após o passeio. O trajeto escolhido, segundo os cadeirantes, apesar de apresentar irregularidades, não é um dos piores de Jaraguá do Sul, mas, ainda que de forma minimizada, os entraves existem.

No Calçadão, por exemplo, as rampas de acesso às calçadas são obstruídas por mobiliários urbanos como bancos, lixeiras, vasos e postes; as calçadas estão desniveladas e há falta de lajotas em vários pontos. Nestes, a roda da cadeira emperra. Já o desnível para ultrapassar a linha férrea chega a representar um risco à vida. “Imagina se enquanto um deles tenta atravessar vem o trem?”, questionou um popular. Há ainda, a falta de piso tátil cercando postes, telefones públicos, placas de sinalização e demais peças.

“É muita limitação”, admitiu Rincos. “É muito esforço para transpor obstáculos que passam despercebidos”, complementou ao final, com o rosto vermelho em virtude do esforço feito para transitar pelo trajeto proposto, pouco superior a um quilômetro.

Banheiro e gabinete serão reformados 

Ao tentar entrar no banheiro instalado na Praça Ângelo Piazera, os participantes perceberam que a cadeira de rodas não passa pela porta. Segundo o prefeito Dieter Janssen (PP), contudo, o problema será resolvido em breve. “Eu já assinei a licitação para a reforma daquele banheiro. As obras devem começar o mais rápido possível”, afirma. Dieter anunciou ainda que em junho deve ser realizada uma reforma no Gabinete da Prefeitura para adequação e instalação de elevador de acesso para cadeirantes.

O prefeito foi convidado a participar do movimento, mas tinha uma reunião em Florianópolis, com o governador Raimundo Colombo, e não pode comparecer. Contudo, ele assegurou que providências para acabar com a falta de fiscalização foram tomadas. “Contratamos mais 11 fiscais para atuar justamente nesta área, com foco nas calçadas irregulares. E adotamos medidas para obrigar a construção adequada. Não se libera alvará de funcionamento para nenhum comércio com calçada irregular”, garantiu.

Cadeirante questiona: cadê os demais? 

Barbara Neumann, 79 anos (foto), é independente. As limitações de acessibilidade são superadas com ajuda de uma motoneta. Moradora da Vila Lenzi, ela percorre o trajeto até o centro sempre que precisa pagar contas, ir a supermercados ou lojas. “Resolvo tudo que preciso. Me viro. Mas, é difícil”, admite.

Segundo a moradora, a região central ainda não é a pior. A exceção está no acesso ao comércio. “O ruim é entrar nas lojas. Não tem rampa e, quando tem, elas são muito inclinadas”.

Ela pede atenção para os bairros. “São árvores, placas, postes. Tudo no meio das calçadas. Não temos onde andar. Na rua que não dá. Vai lá ver a Rua Procópio Gomes…”, reclama.

Avaliando a ação dos vereadores, Bárbara considerou a iniciativa interessante. “Eles precisam enxergar as necessidades do povo e nós, mais ainda, precisamos participar destas ações para mostrar o que precisamos”, mas, questionou ao perceber que apenas um parlamentar estava presente: Cadê os demais?

Barbara Neumann, 79 anos questiona aa falta dos demais parlamentares Foto: Eduardo Montecino

Barbara Neumann, 79 anos questiona aa falta dos demais parlamentares
Foto: Eduardo Montecino

Vereadores ausentes na programação

Nenhum dos demais 10 vereadores convidados a sentir na pele os problemas enfrentados pelos cadeirantes compareceu ao movimento. Ao final do “cadeiraço”, Amarildo Sarti (PV), esteve na Câmara. Ele justificou a ausência. “Eu tinha outras coisas para ver”.

Ausente também estava o presidente da Ajadefi (Associação Jaraguaense dos Deficientes Físicos), Valdecir Titon. “Eu tinha outro compromisso, mas mandei um representante. Imagina se não iríamos participar”, ponderou Titon, que classificou a iniciativa como um “empurrão” pelo direito à acessibilidade.

Agora, para ele, resta conscientizar, além da Prefeitura, os motoristas. “Além de exigir a padronização do poder público, precisamos conscientizar os motoristas que continuam estacionando em vagas especiais ou nas ciclovias”, conclui.

Bandeira na agenda de debates

As limitações dos portadores de necessidades especiais de locomoção serão debatidas em Audiência Pública no dia 11 de junho, na Câmara de Vereadores e, antes, em plenária da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), no dia 26 de maio. Neste encontro, será abordada especificamente a acessibilidade dos cadeirantes no comércio.

Via OCP Online