Por: Ricardo Daniel Treis | 21/09/2015

Quando se mudou para Jaraguá do Sul, em 1992, Dalvino Coelho tinha em mente que queria abrir o próprio negócio. Mas antes disso tinha outra promessa para cumprir: comprar um Fusquinha. Na época, trabalhava no setor de contabilidade da Duas Rodas e conseguiu adquirir o carro no ano seguinte.

Dalvino então resolveu visitar a cidade natal, Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí. Mas na época e ele ainda usava óculos e tinha dificuldades em dirigir à noite. Então convidou o amigo Dírio Moresco, que também morava na saudosa pensão da dona Laura, para que ele dirigisse.

No caminho de ida, na chamada Ponte do Diamante em Indaial, eles perderam o controle do carro e capotaram. Perda total. Sem seguro, restou a Dalvino vender o que sobrou para o ferro velho. E ele investiu todo esse dinheiro em cartuchos de Super Nintendo.

"Do tempo que o Dalvino jogava videogame"

“Do tempo que eu jogava videogame”

O mais engraçado nessa história toda é que Dalvino nunca foi um fã dos games. No máximo, tinha jogado o já saudoso Odyssey por algumas vezes. E resolveu investir nisso.

– Até hoje não jogo. Tem muita gente que vem me pedir dicas, não consegue passar de fase. Mas eu não sei como ajudar – conta Dalvino.

A parceria com o hoje sócio Dírio foi como uma compensação pelo fato de o amigo ter capotado o fusca.

– Na época eu disse pra ele que já que ele estava junto comigo, ele tinha que me ajudar, já que eu não tinha como pagar funcionário. Se o negócio desse certo, então a gente ficaria sócio.

Dalvino no comando do balcão. Foto: Julimar Pivatto

Dalvino no comando do balcão. Foto: Julimar Pivatto

E assim começou. Em uma sala de 28 m2 na Galeria Piccoli, ele montou um espaço para alugar cartuchos de videogame e com duas TVs pra galera jogar. Durante dois anos, Dalvino se dividiu entre a loja e a Duas Rodas. Dírio fez isso por mais de três anos, entre a Brazfox e a Marisol, onde era analista.

O negócio deu certo e Dírio também assumiu como sócio. A lojinha ficou pequena e eles resolveram se mudar para onde estão até hoje, na Rua Guilherme Weege. O ponto foi comprado depois de cinco anos de aluguel.

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O segundo e atual endereço da Brazfox. Fachada lá de 2003, antes da reforma. Imagem: Google.

Nestas mais de duas décadas acompanharam a evolução dos jogos de videogame e tiveram de se reinventar. Mas para Dalvino, o maior prazer foi dar uma opção de lazer para a garotada.

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– Eu vejo como uma questão social. Afinal, os pais sempre souberam que os filhos estavam bem aqui. Nós sempre prezamos por um ambiente saudável, longe de drogas e sem bebidas.

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Campeonato de Magic, em 2007. Imagem tungada do fotolog.com.br/mantorok.

Dalvino também se orgulha do fato de ser reconhecido pelo comércio. Afinal, fez parte das das fases da vida mais marcantes de todo mundo – a infância e a adolescência.

– O que eu fico mais feliz é ver aquela garotada lá dos anos 90 trazer os filhos hoje pra cá. E os grandinhos também voltam sim, eles querem matar a saudade. Isso que é o mais legal.

Hoje a Brazfox continua atendendo muita gente que vem alugar games ou jogar no local. Mas, segundo Dalvino, mais de 60% do faturamento da empresa vem dos serviços prestados, como o de lan house e impressões. Mesmo assim, a mística em torno da marca continua. E que transformou a dupla Dalvino e Dírio e duas figuras que marcaram várias gerações.

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Pra quem quer dar uma olhada, o Dalvino dispõe em seu Facebook o álbum “Antigas da Brazfox“. Clique para acesso.


Artigo feito pelo jornalista convidado Julimar Pivatto.