Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Reprodução/Internet

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Pesquisadores da Austrália descobriram que quando os pelos faciais são raros entre os rostos,
barbas são consideradas mais sexy

Não importa qual é o estilo, recentemente as barbas conquistaram o gosto dos homens — seja pela aparência ou praticidade de não ter de enfrentar a lâmina todos os dias. Contudo, a própria popularidade dos pelos faciais pode se voltar contra eles, tornando-se um obstáculo para sua existência. Um experimento com 36 barbudos explica o motivo.

Uma equipe liderada por Zinnia Janif, bióloga evolucionista da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália, decidiu investigar por que barbas são consideradas tão sexy. Tem a ver com os pelos em si ou com quão barbudo é o resto da população masculina?

Segundo a Science, os pesquisadores recrutaram 36 homens dispostos a deixar a barba crescer. Eles tiraram diversas fotos dos voluntários com condições de iluminação idênticas — após cinco dias, dez dias e quatro semanas. As imagens foram mostradas para 1.453 mulheres que se diziam bissexuais ou heterossexuais e 213 homens que se diziam heterossexuais. Eles tiveram de avaliar os rostos em uma escala de atratividade.

Conclusão: quando os pelos faciais são raros entre os rostos, barbas são classificadas como sendo cerca de 20% mais atraentes. Por outro lado, quando eram comuns, a atratividade era a mesma de rapazes com barba. E detalhe: o julgamento foi o mesmo entre homens e mulheres.

No caso da maioria dos traços biológicos (no caso de animais como bicos adequados à determinada alimentação ou pernas longas para fugir de predadores), a raridade de cada característica pouco importa. Mas, às vezes, pode ser ruim ter um atributo muito popular. Um exemplo clássico é a coloração de peixes Beta: cores raras são mais difíceis de ser notadas por predadores.

No entanto, uma vez que a coloração que antes era rara fica muito comum, a vantagem desaparece. Claro que o caso da barba é mais complicado de explicar, já que ela é determinada por comportamento — é uma decisão do homem fazê-la ou não. Mas a lógica é a mesma se aplicada sobre a escolha de parceiras em potencial.

“Esse estudo abre novos caminhos”, diz Peter Frost, antropólogo do Interuniversity Centre for Aboriginal Studies and Research em Quebec, no Canadá. O trabalho, de acordo com o acadêmico, mostra “que o ‘efeito novidade’ se aplica não só às cores, mas também a outras características visíveis [do corpo]”.