Por: Gabrielle Figueiredo | 3 anos atrás

Bananicultores da região de Corupá buscam selo de Indicação Geográfica (IG), reconhecendo a fruta como a mais doce do Brasil. Com o slogan “Doce por Natureza”, a intenção é diferenciar a banana produzida em Corupá, Jaraguá do Sul e Schroeder das demais, devido ao clima e ao relevo que trazem características únicas à fruta.

Nesta segunda-feira, dia 19, técnicos do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram/Epagri) apresentaram um estudo de caracterização de relevo e clima da região de Corupá, que a diferencia de outras regiões produtoras no mundo.

Características como a produção subtropical, pouca exposição ao sol no inverno e temperaturas mais baixas à noite, transformam o sabor da fruta, que é mais doce, e a deixam mais escura, além de aumentar o tempo de maturação e durabilidade da banana.

Segundo o pesquisador da Epagri, Hamilton Vieira, as condições climáticas da região são únicas e não podem ser reproduzidas em nenhum outro lugar. “As características da banana produzidas nos três municípios são conseqüência das condições do relevo e clima, tanto que essas características são praticamente independentes do meio de produção”, destaca.

Foto: Divulgação

Com o estudo do Ciram/Epagri em mãos, o próximo passo é um documento do Governo do Estado que reconheça a região formada por Corupá, Jaraguá do Sul e Schoroeder como a “Região da Banana de Corupá”, uma exigência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Até o final de novembro, a UFSC deverá entregar os resultados da pesquisa sobre a qualidade da banana produzida nos três municípios e seus diferenciais em relação àquelas produzidas em outras regiões de Santa Catarina e fora do estado.  Todas as análises e estudos feitos serão anexados ao processo para o reconhecimento de Indicação Geográfica, a expectativa é de conquistar a certificação no final de 2016.

O selo de IG pode representar uma vantagem competitiva para os bananicultores da região. O secretário adjunto da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, destaca que além de demonstrar a organização e qualificação dos produtores, o selo agrega valor à fruta produzida na região. “São detalhes que se transformam em vantagem competitiva. Nós vamos usar o que a natureza nos deu para valorizar e agregar valor à banana da região de Corupá”.

Para que o bananicultor possa utilizar o selo de IG ele deverá estar vinculado a uma associação de produtores, com um corpo técnico que possa garantir a qualidade da fruta e se ela se enquadra nos requisitos necessários. De acordo com o presidente da Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco), Marcos Martini, haverá ainda a rastreabilidade da banana, ou seja, os consumidores saberão a origem da fruta e como foi produzida.

Atualmente, Corupá é o maior produtor de banana do estado, com 155 mil toneladas por ano, envolvendo 600 famílias. Cerca de 10% da produção é exportada para Argentina e Uruguai.

O registro de Indicação Geográfica da Região da Banana de Corupá é um trabalho conjunto entre a Associação de Bananicultores de Corupá (Asbanco), Sebrae/SC, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Universidade Federal de Santa Catarina, com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca.

Fonte: SDR/ Foto destaque: OCP