Por: Sistema Por Acaso | 30/05/2014
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Na quarta-feira, usuários precisaram usar vans para chegar ao trabalho

Passada a paralisação de 24 horas no transporte coletivo de Florianópolis, o objetivo agora é de tentar resolver as diferenças entre Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano) e Setuf (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Florianópolis) em uma audiência conciliatória marcada para segunda-feira, no TRT (Tribunal Regional do Trabalho). Antes, a Prefeitura da Capital convocou uma entrevista coletiva para a manhã desta sexta-feira, na qual promete novidades no sistema de transporte coletivo.

Waldir Gomes da Silva, presidente do Setuf, disse que o sindicato vai ao encontro disposto a ouvir todos os lados envolvidos no assunto. Além de Sintraturb, Setuf e TRT, o MPT (Ministério Público do Trabalho) participará da audiência. De qualquer forma, avaliou Waldir, é o tribunal que indicará possíveis propostas para pôr fim ao impasse que já se arrasta há mais de uma década. “O desembargador já avisou que a prefeitura precisa apresentar cópias do edital e do contrato assinado com o Consórcio Fênix, para analisar a real necessidade do fim dos postos de trabalho”, afirmou.

Ao todo, são 350 postos de trabalho que serão extintos a partir de 1 de novembro. As paralisações de maio ocorreram justamente porque motoristas e cobradores não concordam com o que chamam de “demissões em massa”. “A extinção dos postos acontecerá de acordo com as saídas espontâneas”, disse Waldir.

O secretário de Mobilidade Urbana da Capital, Valmir Piancentini, garantiu presença na audiência, porém, reforçou o que foi afirmado há um bom tempo: “Ratificaremos que a questão precisa ser resolvida entre patrões e empregados”, pontuou.

Na audiência também será discutido o ajuizamento da ação pelo procurador regional do Trabalho, Alexandre Medeiros da Fontoura Freitas. Ele requereu execução da multa de R$ 50 mil, ou penhora de bens do Sintraturb e Setuf, pelo não cumprimento de frota mínima durante as paralisações – 80% nos horários de pico (5h30 às 8h e das 17h30 às 20h) e 60% nos demais horários, estabelecida pelo TRT na primeira paralisação deste ano, no dia 8 de maio.

Na terça-feira, uma nova assembleia está marcada para as 22h, quando a decisão de greve estará nas mãos do Sintraturb. O Notícias do Dia tentou contato com os líderes do sindicato, mas os telefones estavam desligados.

Polêmica na Câmara de Vereadores

As dificuldades em superar a crise no transporte coletivo têm dividido opiniões na Câmara de Vereadores de Florianópolis. O parlamento pouco pode agir nos momentos de greve, mas é parte importante no processo de construção das leis que regem o serviço, além de terem como prerrogativa o dever de fiscalizar as ações do executivo municipal.

Na última segunda-feira, as possibilidades de um amplo debate sobre a implantação do SIM (Sistema Integrado Municipal), por meio de uma audiência pública, foi afastada com o arquivamento do requerimento, depois de colocada em votação e vencida por maioria simples. O pedido de audiência ingressou na Câmara antes mesmo da assinatura do contrato de licitação com o Consórcio Fênix, e foi arquivada sob o argumento de que é preciso aguardar a implantação do novo sistema para verificar os problemas, para depois discutirem sua implantação. Apesar de já ter contrato assinado, o novo sistema entrará em funcionamento no dia 1º de novembro. (Fábio Bispo)

REPERCUSSÃO

“Este é o primeiro contrato da história do transporte público de Florianópolis. A Câmara está acompanhando esse processo de implantação, que ainda está caminhando. A audiência agora não é cabida, pois precisaremos fazer uma avaliação do novo sistema após a sua implantação”.
Cesar Faria (PSD), presidente da Câmara

“Sou a favor da audiência. Toda forma de participação da sociedade no debate é válida. Os cobradores estão desesperados. Ao invés das demissões, poderiam servir como agentes de transporte e auxiliarem turistas e passageiros”.
Pedro Silvestre (PP)

“Discutir o sistema de transporte que está sendo implantado seria discutir algo que não está implementado. Após o funcionamento do novo sistema a audiência seria bem-vinda. O sindicato está sendo intransigente”.
Guilherme Botelho (PSDB)

“A Câmara tem que estar disposta ao debate no momento em que a população reivindicar. A pauta da greve traz à tona algo tão importante para a cidade que não é só a questão salarial ou das demissões, mas também a qualidade deste serviço”,
Ricardo Camargo Vieira (sem partido)

“Existe pressão do executivo em não realizar esta audiência. O poder público não quer debater o assunto por não ter segurança. O requerimento entrou diversas vezes na pauta, até ser derrubado”.
Afrânio Boppré (PSOL)

Via NDOnline.