Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás
Gabriel faz equoterapia há dois anos e conseguiu desenvolver o equilíbrio com a ajuda do cavalo Caramelo -  Foto: Germano Rorato

Gabriel faz equoterapia há dois anos e conseguiu desenvolver o equilíbrio com a ajuda do cavalo Caramelo –
Foto: Germano Rorato

Associação Jaraguaense de Equoterapia (AJAE), entidade que promove atendimentos de equoterapia em Jaraguá do Sul, passa por dificuldades financeiras. As sessões que acontecem diariamente na Sociedade Hípica Jaraguá correm o risco de ter o valor reajustado e tornar o tratamento inviável para crianças de baixa renda. O alerta é feito pela instrutora de equitação e pedagoga Paula Monteiro.

— O preço da sessão é subvencionado de acordo com o apoio que recebemos. O risco é que tenhamos de aumentar o valor e ficar caro para quem não pode pagar — lamenta.
Cada sessão custa R$ 85. O projeto atende 34 pacientes, sendo que 50% pagam o preço normal de sessão, 30% são gratuitos e 20% recebem desconto. A equipe técnica é formada por psicólogos, fisioterapeutas, pedagoga e instrutores de equitação, parte deles trabalha de forma voluntária e outra cobra um preço simbólico. A maior parte dos pacientes são deficientes físicos, mas também são atendidos deficientes mentais e crianças que querem iniciar na equitação.

Os gastos aproximados são de R$ 8 mil, que vem de doações de empresários e o pagamento das sessões. Segundo Paula, a receita é insuficiente para cobrir o gasto, também porque a cobrança é feita por sessões que a criança efetivamente faz. Tudo que excede esse valor acaba sendo coberto com reservas que seriam destinadas a gastos extras, como tratamento dos cavalos. Em dia de chuva, por exemplo, a terapia é cancelada. Por causa desse fator, a AJAE necessita de um picadeiro coberto.

— Temos cerca de 30% de falta por mês ou por causa de doença ou pela chuva. A nossa ideia é não entrar mais no negativo. Temos de pensar em maneiras de reduzir o nosso custo para não deixar esse projeto morrer — diz.

Grupo de trabalho
No primeiro semestre desse ano foi criado um grupo de trabalho na Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul para ajudar a associação. O objetivo é elaborar um projeto de captação de recursos da iniciativa privada para construção do picadeiro. A estrutura deve custar cerca de R$ 100 mil. Porém, a associação já tem o terreno que vai receber o espaço, com cerca de 650 m²,  dentro da Sociedade Hípica de Jaraguá do Sul.

Por ser um local privado o poder público não poderá investir na estrutura. No entanto, o grupo também trabalha para que o terreno seja desmembrado e passado para o nome da associação para viabilizar doações por parte do poder público municipal e estadual. A AJAE possui o título de utilidade pública nas duas esferas. Uma nova reunião entre membros da AJAE e os vereadores deve ocorrer no dia 17.

Desenvolvimento com auxílio dos cavalos
A equoterapia proporciona maior qualidade de vida para crianças com deficiência física ou mental e estimula os pacientes por meio do contato com a natureza. Exemplo disso é o pequeno Gabriel Generoso, de 3 anos, portador de paquigiria. A mãe Denise Generoso, 46 anos, destaca um grande desenvolvimento, sobretudo, na parte motora.

— Depois que ele começou a fazer a equoterapia está mais firme, com mais equilíbrio — descreve a mãe, que ficou sabendo da equoterapia em um panfleto.

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No YouTube, um dia de uma criança no tratamento com equoterapia 

Denise considera importante que o trabalho se mantenha com a proposta voluntária. Na visão dela, um valor maior na mensalidade vai acarretar em desistência de parte dos pacientes principalmente de famílias mais carentes.

— Fazemos todo o esforço para manter tudo o que ele precisa, como fisioterapia, fonoaudiologia, consultas e remédios. Todos que têm uma deficiência têm um gasto maior, além de ficarem doentes com mais facilidade — relata.

A mãe conta que gasta em média R$ 1 mil por mês com os tratamentos de Gabriel e a única forma do filho melhorar sua condição física é por meio das terapias.

—  A equoterapia é uma das que ele mais recebe estímulos. Eu falo para ele: vamos ver o Caramelo (o cavalo)? Dá para ver a felicidade no rostinho dele — conta.

Como ajudar
– Empresas que declaram no lucro real e que tem como filosofia a responsabilidade social podem destinar parte do imposto de renda se beneficiando da lei nº 9.246 de 26 de dezembro de 1995, artigo 13. Outra forma é adotando um praticante, onde possibilitará o acesso de pessoas carentes ao tratamento. O paciente adotado por uma pessoa física ou jurídica poderá fazer sessões de equoterapia com um plano de trabalho individual. Informações no  9175-4786 ou 3275-3561.

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Matéria via AN.