Por: Max Pires | 16/08/2010

Portões fechados, pátio vazio e silêncio. Assim está a unidade da Porcelana Schmidt de Pomerode, que em dezembro completará 65 anos de história.

Em processo de recuperação judicial, a empresa deu licença remunerada aos cerca de 200 funcionários há dois meses.

As unidades de Campo Largo (PR) e Mauá (SP) também estão com algumas das suas operações suspensas. A empresa não se manifesta sobre o assunto, mas há a esperança de que o quadro melhore neste segundo semestre, período em que as festas de fim de ano tradicionalmente reforçam os pedidos.

Na matriz em Pomerode, a produção foi interrompida para se evitar uma greve, informou o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cerâmica de Louça, de Barro e Porcelana de Pomerode e Timbó. Apenas funcionários da administração e da loja de fábrica estão trabalhando. O presidente do sindicato, Alzir Beber, afirma que, desde o início do ano, houve atrasos de salários. No momento, os trabalhadores aguardam o pagamento da folha de julho, que deveria ter sido depositada em 6 de agosto.

A crise que a tradicional fabricante de porcelana enfrente não é de hoje. Nos anos 1990, a Schmidt exportou 20% da produção. Hoje, esta fatia não passa de 5%. A produção despencou de 2,4 milhões de peças por mês, há três anos, para 1,9 milhão. E a unidade de Campo Largo, que chegou a empregar 3 mil pessoas, não conta com mais de 500 atualmente. Entre os principais motivos apontados estão a concorrência dos produtos chineses e a mudança no padrão de consumo de porcelana fina no país.

Para o sindicato, o atraso nos salários tem relação com o pagamento, em abril, da primeira parcela do acordo de recuperação judicial feito pela Schmidt. Este tipo de negociação é solicitada pela empresa à Justiça para renegociar uma dívida, com o objetivo de continuar funcionando.

— A recuperação é uma forma legal de evitar a falência. É uma ajuda que a Justiça concede ao empresário que está em dificuldade financeira para não ocorrer o fechamento da empresa — explica o professor de direito falimentar da Furb, Alceu Xenofontes Lenzi.

Ao recorrer à Justiça, a empresa deve apresentar um plano de recuperação. Se tudo estiver correto, dentro dos requisitos impostos pela lei e for aceito pelos credores, o juiz firma o acordo. A empresa tem até dois anos para cumprir o plano de recuperação. Sobre a reabertura da fábrica, não há previsão.

Rescisão

Na sexta-feira, 32 funcionários, dos 203 cadastrados no sindicato da categoria, entraram com pedido de rescisão indireta do contrato de trabalho. Por meio da medida, o juiz intima a empresa a demitir os funcionários por não cumprimento do contrato, garantindo todos os benefícios. No caso da Schmidt, a quebra de contrato seria o atraso salarial.

— Os funcionários tomaram esta decisão porque a empresa não deu prazo algum sobre retorno às atividades. No entanto, a maioria torce para voltar logo a trabalhar, pois todos gostam muito do que fazem — observa o presidente do sindicato dos trabalhadores, Alzir Beber.

Via DC.