Por: Ricardo Daniel Treis | 13/08/2013

A Jornada Mundial da Juventude, por mais que tivesse um caráter de evangelização, foi elaborada como um evento-teste para o Rio preparar-se para as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Claro, preparação reprovada.

Quase tudo fora das câmeras de TV deu errado! Ninguém se importou com isso. Afinal, estamos condicionados a pensar que toda a desorganização faz parte do evento que, de antemão, já conta com nossa tolerância e uma paciência muda e bovina, que nos destrói. Foi assim na Copa das Confederações, na Jornada Católica e será assim em qualquer evento em qualquer cidade brasileira. Caos no trânsito, nos acessos, na comunicação, na acústica das arenas, na organização. Porque toleramos!

Pagamos bem mais caro pelos mesmos eventos que, em países ricos, são acessíveis. Toleramos a telefonia ruim e compramos mais créditos ou um plano maior em troca de aparelhos modernos: compram-nos com brindes e promoções, como selvagens trocando ouro por espelhos. Aceitamos carros que reprovam em testes de segurança e pagamos fortunas para isso.

Aceitamos o que é meia-boca; não reclamamos do pão mofado, do imposto caro, do produto vencido, do lugar na plateia que um compra e outro ocupa.

Toleramos nossos políticos corruptos e incompetentes e pior: os reelegemos. Nem lembramos em quem votamos. Nas ruas, protestaram muito, mas erravam o alvo das cobranças, pedindo à “Dilma” ações que cabem aos prefeitos e vice-versa. Ou seja, mostramos que é fácil nos manipular, já que mal entendemos como se (des) organiza o país.

Parece que errado é reclamar. Ser crítico, apontar falhas ainda é visto como defeito. E para mudar? Cobrança! Aprenda a ser chato! Ser bom sim, “bonzinho”, não! Uga, Uga!


Por Gilmar de Oliveira, n’O Correio do Povo.