Por: Isah Sanson | 19/12/2011

“Minha primeira opção é o ‘boy’ que está perto de mim”, diz Thales Coimbra, 21. “Uso mais por diversão. Não procuro nada sério”, afirma Mayara C.*, 22.

Os dois são usuários de um serviço para smartphones que ganhou força no Brasil neste ano: os aplicativos de paquera com geolocalização.

Esses apps, disponíveis para aparelhos com iOS, Android e BlackBerry, viraram hit na balada porque mostram na hora os desejos de quem circula por casas noturnas e bares. Em geral, são “boys” e “girls” em busca de um relacionamento casual.

Funciona assim: o usuário baixa o app, informa nome, idade, sexo e alguns interesses e cria uma conta. Alguns aplicativos exigem foto.

Depois, o programa faz uma varredura na área onde o usuário está e lista as pessoas com interesse similares naquela região.

MAIS PERTO

“Não faz sentido eu, que vivo no Ipiranga, procurar alguém do Butantã. Tem que ser prático”, diz Thales Coimbra, que usa o Grindr (pronuncia-se “grainder”), app destinado ao público gay e que tem cerca de 3 milhões de inscritos no mundo (37 mil deles no Brasil).

Ele conseguiu três encontros, “após incontáveis paqueras pelo Grindr”. “Um não correspondeu às expectativas, me senti enganado pelas fotos do cara. Outro eu adorei. Rolou química, e o papo fluiu, mesmo eu tendo que ir até o apartamento dele.”

O terceiro, segundo ele, foi mais romântico. “Por causa da rotina, que não batia, só depois de meses nos encontramos. Almoçamos juntos, fomos tomar sorvete… Hoje nos falamos eventualmente.”

SEM COMPROMISSO

Mayara C.* usa o aplicativo OkCupid Locals há mais de um ano. Já encontrou duas pessoas. Apesar de ter como objetivo envolvimentos casuais, Mayara chegou a se relacionar por três meses com um homem que conheceu pelo app, mas não chegou a assumir compromisso.

Flávio*, 33, usou dois aplicativos de paquera em bares da Vila Madalena: o Singles AroundMe (“solteiros ao meu redor”, em inglês), que tem cerca de 2.000 usuários no Brasil, e o Papoon, serviço nacional recém-lançado, com 11 mil cadastrados.

Conseguiu, com o Papoon, dois encontros casuais com mulheres. “Foi bom para ajudar o começo do papo.”

Com uma das mulheres, que segundo o Papoon estava a 2 km de distância dele, Flávio trocou mensagens pelo recurso de conversa do serviço durante um mês e meio.

Paulo L.* também usou o Papoon na Vila Madalena. Quase teve sucesso, mas o gosto pelo futebol o distraiu da conversa que levava com uma mulher pelo aplicativo.

Ele via no bar uma partida do Campeonato Brasileiro. “Deixei a garota falando sozinha. Depois ela não falou mais comigo.”

Via Folha.com