Por: Cláudio Costa | 21/12/2015

Já imaginou se lhe dessem autonomia para multar os infratores no trânsito da cidade? Hoje, você pode quase isso. Com o aplicativo Tá Errado, é possível tirar uma foto do veículo que está infringindo as leis de trânsito e compartilhar em uma timeline aberta para todos os usuários da rede. Ao abrir o programa, você consegue visualizar todas as imagens registradas pelas pessoas em locais próximos, auxiliado pelo serviço de geolocalização, além de poder “xingar” o infrator através de votos. O software está disponível gratuitamente no Google Play, para o sistema Android. Ainda não há previsão de quando estará disponível para iOS.

A prática pode não valer como uma punição oficial, com pontos na carteira e uma pesada multa, mas serve como uma alternativa para protestar contra a falta de penalidades formais. É o que defende Rafael Prada, diretor de conteúdo da doisdoissete, desenvolvedora de aplicativos mobile responsável pelo Tá Errado. “A gente cansou de ver muitos problemas no trânsito e não há gente suficiente para fiscalizar. Então pensamos numa maneira de conseguir registrar essas infrações aproveitando que uma boa parte da população tem smartphone, seja a pé ou de carro, para as pessoas poderem denunciar pequenas infrações no trânsito. Queremos dar poder para as pessoas denunciarem outras que fazem coisas erradas”.

Aplicativo pretende servir como database de infrações. Foto: Reprodução

Aplicativo pretende servir como database de infrações. Foto: Reprodução

No aplicativo, quem é pego infringindo as leis de trânsito tem a sua foto registrada, com hora, data, local e até a placa do carro é colocada à mostra. Prada destaca que essa transparência faz parte do foco do projeto. “Enquanto as pessoas não se sentirem atingidas de verdade, para elas tanto faz. Esconder a placa não só beneficia o infrator como não condiz com o nosso objetivo que é reeducá-las”, ressalta.

CET contesta aplicativo

A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) contesta a necessidade de uma iniciativa alternativa. “É um equivoco afirmar que a criação do aplicativo demonstra a falta de representação junto à população, haja vista que a Companhia possui um efetivo de 1.850 agentes de campo, além dos 690 agentes da SPTrans e dos 4.800 guardas civis municipais, que atuam diuturnamente na fiscalização de infrações e desrespeitos às leis de trânsito em toda a cidade”, defende, em nota.

A entidade esclarece ainda que a utilização do novo recurso não pode ser entendida oficialmente como uma forma de fiscalização. “O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não homologa seu uso para efeito de fiscalização no trânsito. A infração deverá ser comprovada por declaração da autoridade ou do agente da autoridade de trânsito, por aparelho eletrônico ou por equipamento audiovisual, reações químicas ou qualquer outro meio tecnologicamente disponível, previamente regulamentado pelo CONTRAN”.

A legitimação do Tá Errado como um meio auxiliar para resultados mais efetivos na vigilância é uma meta de seus criadores. “A gente quer poder usar o conteúdo publicado pelos usuários como uma big data (grande armazenamento de dados): gerar relatórios para entregar para as autoridades e com isso eles terem uma fiscalização mais efetiva, mostrar o que está acontecendo fora dos olhos deles”, analisa Rafael Prada.

Com esse pensamento, Prada garante que não pretende atrapalhar o trabalho da CET, muito pelo contrário, quer auxiliá-lo. “A gente quer ser uma ajuda complementar para eles. É a mesma história do Uber – na visão dos usuários. Não é contra os táxis, é uma ferramenta a mais pro público”, finaliza.

Fonte: Auto Esporte