Por: Gabriela Bubniak | 1 ano atrás

Nem parece que o velho casarão verde que fica na Rua Epitácio Pessoa, em Jaraguá do Sul, tem dois anos a menos do que a sua mais antiga moradora. É lá, na casa que foi construída em 1905 pelo pai, que vive a mulher mais idosa do Brasil. 

Nascida no dia 10 de julho de 1903, Alida Victoria Grubba Rudge completa neste domingo (10), o seu 113º aniversário. Apesar de as pernas não ajudarem mais – devido a uma artrose no joelho -, a saúde é de ferro e, para manter a mente ativa, ela dedica suas tardes aos jogos de baralho, à televisão e à leitura. É assim, mantendo essa rotina que continua com as histórias da longa vida guardadas na memória. “Não me sinto velha, estou muito bem, obrigada!”, comenta com um leve sorriso.

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Foto do velho casarão onde mora a dona Alida Grubba. A construção centenária fica na Rua Epitácio Pessoa com a Ponte Maria Moser Grubba. (Foto: Gabriela Bubniak)

Em julho de 2015, ela foi reconhecida como a mais velha do Brasil, pelo Grupo de Pesquisa em Gerontologia, ou Gerontology Research Group (GRG), em inglês. Para receber esse título, foi necessário juntar uma série de documentos, e quem os reuniu foi a cuidadora Darci Holtz, de 66 anos. Ela conta que reportagens sobre o aniversário de 112 anos de Alida chamaram a atenção do instituto, que entrou em contato com a família. “Pediram a certidão de casamento, nascimento e a cópia da identidade dela”, conta. Em menos de um mês o resultado saiu.

O Instituto atualiza a lista de centenário pelo mundo mensalmente e hoje Alida ocupa a 18ª colocação dos mais idosos do mundo.  “Ela é a mais idosa registrada, e essa lista vai sendo atualizada constantemente, principalmente se acontece de algum deles falecerem”, explica Darci. Quem quiser acompanhar a lista pode acessar este link.

Recorte da lista feito no dia 8 de julho de 2016

Recorte da lista feito no dia 8 de julho de 2016

O dia a dia da centenária

Para ajudar no dia a dia, Alida conta com a cuidadora Darci Holtz, 66, que está com ela há quase 20 anos. Darci dedica-se a tomar conta da casa e das necessidades e vontades de Álida. “Ela é muito vaidosa, o cabelo tem sempre que estar penteado e bem vestida. Come de tudo, menos feijão, é a única comida que não gosta”, conta Darci.

Atualmente, mais duas pessoas tomam conta da idosa de 112 anos e revezam os cuidados nos finais de semana. “Quando comecei a cuidar da Dona Alida, ela tinha 95 anos. Ainda ia para o salão de beleza com sua motocicleta a bateria e andava por todos os lugares. Desde que parou de andar, por causa do tombo, tudo ficou mais complicado”, relata a cuidadora.

Um dos prazeres de Alida é lembrar dos tempos de juventude, quando passava os verões pescando e banhando-se no Rio Itapocu. Quando solteira, adorava ir ao cinema e aos bailes da região com os pais. “O salão chegava a tremer com as músicas. Quando o baile começava a ficar bom meus pais diziam ‘vamos para casa’, mas eu não podia falar ‘ah, pai, fica um pouco mais’, porque ele era rígido”, lembra, entre risos.

Veja o vídeo com uma parte da entrevista que fiz com ela, este ano, para uma reportagem da faculdade de jornalismo:

Aos olhos de alguém que vive há mais de cem anos, a cidade de Jaraguá do Sul mudou muito. “No começo não tinha quase nada na cidade. Agora cresceu muito e a gente vê muitos carros na rua e mais pessoas”, comenta a idosa.

Família e trajetória

Alida é a segunda filha entre sete irmãos e a única que está viva. O pai Bernhardt “Bernardo” Grubba era alemão e veio da região da Prússia, aos 17 anos, para morar nas proximidades de Pomerode. Casou-se com Maria Elisabetta Moser, nascida em Blumenau, filha de um imigrante tirolês de língua italiana, que hoje dá o nome à ponte que faz esquina com o velho casarão.

Veja no mapa onde fica a ponte Maria Moser Grubba:

mapa ponte maria moser grubba

Foi o pai Bernardo que, em 1905, construiu a casa onde ela cresceu e ainda vive. “O meu bisavó veio para o Brasil aposentado da guerra de 1970, na Alemanha, e casou pela primeira vez com uma prussiana. Ela ficou grávida e, um dia enquanto ela costurava morreu atingida por um raio”, relembra.

A centenária jaraguaense foi casada com Manoel Rudge Filho, falecido há 74 anos, com quem teve seu único filho, Adhemar Rudge, que hoje tem 89 anos. Ela tem dois netos e dois bisnetos que moram em São Paulo, mas que nunca deixam de visitar a avó.

Fotos e imagens: Gabriela Bubniak e Thiago Lehmann