Por: Ricardo Daniel Treis | 8 anos atrás

Twitter começou hoje já com 95% do pessoal berrando insatisfações quanto o calor e ter que voltar ao trabalho e seus problemas rotineiros. Como certas coisas a gente não se dá conta, só peço o paralelo com o causo a seguir. Tenho contado ele em roda desde quinta passada, quando ocorreu.

Meio dia, Ricardo Daniel Treis na fila do Itaú, pára na sequência aquela senhora de jeito judiado. Tic tac, trinta segundos ao meu lado e lá veio da dôna a declaração do banal “Tá quente, né?” Assunto clássico de fila, emendei com “Previsão para hoje é ser o dia mais quente do ano, tive a impressão que a calçada tava me mordendo”.

O que sucedeu na conversa foi o quadro descrito da miséria. Ela disse “Tem que ver no meu trabalho como é ruim…”

A mulher trabalha com SOLDA, em expediente de nove horas por dia que começa às 13h. O local? Um galpão com telhado de zinco. Complementa o quadro de tortura o fato de que precisa trabalhar equipada com luvas, óculos, máscara e macacão.

A remuneração dela: R$ 3 por hora.

Lindo dia aí na frente do computador, não? Boa semana.


Ah, ela estava lá na agência tentando um empréstimo, queria poder mudar do lugar onde mora: uma quitinete, cuja vizinhança consiste em piazada vagabunda.

Esquema demoníaco, a tortura mora ao lado fazendo rodízio. Cada vizinho trampa em turno diferente de fábrica, sendo que quando um sai, o outro está voltando. Das paixões deles, ouvir sertanejo no talo é uma que todo condomínio é obrigado compartilhar.