Por: João Marcos | 6 anos atrás

Pense você, morando com sua esposa na rua por falta de condições, ganhando no máximo R$15 por dia, sobrevivendo ao frio, preconceito e descriminação tão comum em nossa sociedade, se depara com um saco de dinheiro, com aproximadamente R$20.000 embaixo de um viaduto, o que faria?

Vi essa matéria no G1 e replico aqui, pois acho que isso deve atingir o máximo de pessoas possível pelo exemplo dado. Esse casal estava sob um viaduto da Radial Leste quando ouviu o alarme de uma empresa de ferragens disparar. Em seguida, os dois foram verificar do que se tratava e encontraram um malote e um saco plástico de lixo repletos de dinheiro. Eram cerca de R$ 17 mil em notas e R$ 3 mil em moedas. De posse do dinheiro, os moradores de rua procuraram um segurança da empresa e pediram para ele chamar a Polícia Militar.

Um dos sócios do restaurante invadido, Miguel Kikuchi, de 42 anos, disse não ter acreditado quando a polícia ligou e o informou que o dinheiro havia sido encontrado e devolvido. “Pensei que era trote”, afirmou. “É inimaginável que alguém faria uma coisa dessas. Difícil de acreditar.”

Comovidos, os proprietários fizeram duas propostas: bancar a viagem dos dois para o Maranhão ou para o Paraná, onde cada um tem família, ou oferecer condições para que ambos saíssem da rua.

O casal, que trabalha catando material reciclável nas ruas da capital e vive há mais de um ano na rua, decidiu na hora pela proposta de emprego. “Vou ganhar treinamento para me capacitar e aprender alguma coisa”, disse Rejaniel de Jesus Silva Santos, de 36 anos. “Da limpeza até a cozinha, posso trabalhar onde quiserem.” O homem contou que era auxiliar de limpeza antes de ir morar na rua. “Eu perdi o emprego e tive que vender minha casa, na Divineia, região de São Mateus [Zona Leste de São Paulo].”

E depois disso tudo, a única coisa que o casal pediu ao dono do restaurante foi um prato de comida bem brasileiro, arroz, feijão, bife e batata frita, com o prato na mesa Rejaniel ainda disse:

“Uma vez na vida eu me lembrei que sou gente. Há tanto tempo eu não me sento para ter uma refeição tão boa.”

Quantas pessoas teriam a mesma atitude? Muitos diriam que se pode contar nos dedos, mas nem assim acho que é possível.