Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Raridades e lançamentos integram coleção de jaraguaense Foto: Lúcio Sassi

Raridades e lançamentos integram coleção de jaraguaense
Foto: Lúcio Sassi

Pink Floid, Elis Regina, Vinícius de Moraes, Raul Seixas e Astor Pizzolla ilustram as longas fileiras de vinis organizadas pelas prateleiras do quarto do colecionador Dietmar Hille, de 46 anos. Tito, como é mais conhecido, perdeu há tempo as contas de quantos volumes possui. Até porque, não é o número que importa, mas a relação íntima com cada peça.

“Parei de contar, mas deve ter uns cinco mil. O negócio é que você vai adquirindo e se afeiçoando. Eu tento não me limitar a um estilo, não ficar estagnado porque isso limita”, declarou. Jazz, samba e até sertanejo de raiz entram no esquema, mas foi o punk rock que abriu a mente de Tito para a música, e por consequência, estimulou a coleção.

Apesar de o formato remeter ao passado, o disco ainda tem espaço no cenário musical. Muitas gravadoras retomaram a produção, inclusive no Brasil, mesmo com a efetividade das novas mídias. “Esse universo nunca desapareceu, o cara precisa correr atrás do equipamento. Os defensores do vinil juram de pé junto que a qualidade é bem melhor, não posso atestar tecnicamente, mas eu acredito, principalmente por causa desses formatos de música cada vez mais condensados em arquivos”, comenta.

Para o colecionador, é fato que existe o charme do vinil. O tamanho, em 12, 10 ou sete polegadas já traz o primeiro impacto visual. As artes também são diferenciadas, muitas vezes com pôster e encartes com letras de música. “Tem toda uma alquimia”, poetiza Tito.

A caçada às raridades completa o vínculo com os bolachões. Neste quesito, os sebos se transformam em paraísos, mas a sorte precisa estar a favor. Hille costuma revirar todas as prateleiras, e prefere as cidades pequenas, onde muitos itens limitados passam despercebidos. As feiras que reúnem comerciantes especializados, como a que acontece sábado em Jaraguá do Sul, também são interessantes para quem busca volumes. Entretanto, para ele a internet desponta como o ambiente mais eficiente para as trocas.

Mesmo sem muito espaço para organizar as novidades, a busca é constante. “O problema mesmo é resistir a tentação. Dependendo do lugar, é melhor sair com pouco dinheiro no bolso”, diz. O acervo se tornou moeda de troca na família. “Como não tenho filhos, sempre digo que quem cuidar melhor de mim fica com os discos. Afinal eles duram mais do que a gente. Eu acho que o tempo de vida está curto, as pessoas não tem tempo para ouvir e usufruir bem tanta música”, finaliza.

Jaraguaense monta acervo virtual
 A ideia de trabalhar paralelamente com uma atividade interessante fez o jaraguaense Alexandre Schmidt montar um site para vender discos de vinil. O projeto da Lúpulo Discos começou em agosto do ano passado como um hobby, mas ele já soma participação em feiras em Curitiba, Itajaí, Florianópolis, Joinville e outras cidades da região.

Alexandre garimpa os volumes que considera bom e revende pela internet. O lucro é automaticamente revertido para montar um acervo. O site tem peças de R$ 15 até R$ 250, dos exemplares mais comuns, aos raros. “É um hobby, mas é uma coisa que tem futuro, tem muito espaço para explorar e crescer. Tem feira que chega a ter fila de pessoas para olhar os volumes”, afirma.

Feira para colecionadores e curiosos
 A segunda feira de vinil de Jaraguá do Sul acontece neste sábado, no Blackbird. São esperados mais de vinte expositores vindos de São Paulo, Paraná e outras cidades do Estado. Na mostra estarão disponíveis itens raros e também peças mais baratas. Também haverá vitrolas, e outros itens relacionados ao universo musical.

“A diversidade vai ser grande, são vários expositores profissionais que acompanham as principais feiras. Eles trazem um acervo grande, até com coleções inteiras, é realmente imperdível”, desta o organizador Kélson Marcelo.

Segundo ele, esta edição teve repercussão três vezes maior que a primeira. O evento surgiu de conversas entre colecionadores no bar, mas hoje também tem objetivo de estimular os curiosos. “Vai ser aberto para todas as pessoas, quem quiser apenas visitar é bem-vindo, é a chance de começar a adquirir”, afirma. Haverá som rolando com discotecagem em vinil com Chachá Klitzke e Léo Ersching.

2ª Feira do Vinil de Jaraguá do Sul
• Quando: Sábado, 12 de abril
• Horário: 16h às 23 horas
• Onde: Blackbird Bar (Rua Domingos Rodrigues da Nova, 264)
• Quanto: Entrada gratuita

 

Fonte: OCP
Texto: Natália Trentini