Por: João Marcos | 3 anos atrás

Retiramos um fragmento de um artigo escrito por Luiza Belloni, do Brasil Post, sobre o mercado automobilístico nacional. Ela lista 4 pontos que podem “justificar” os preços absurdos que pagamos por automóveis aqui no Brasil, ó ae:

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1. Menor inovação e produtividade na indústria automotiva

O Brasil sedia uma grande indústria de montagem, mas não de tecnologia. Ou seja, as peças são feitas e os carros são montados no País, mas o núcleo de tecnologia, que promove inovação e alta produtividade, está em países desenvolvidos, como Japão e Estados Unidos, e na Europa.

“Onde há investimento em tecnologia e inovação, a produtividade aumenta e os custos de produção diminuem, resultando em preços mais baixos”, explica o economista. “Já quem paga mais pelo produto é aquele que tem menos tecnologia, que tem cadeias de produção mais burocráticas e caras, com pouca produtividade. Como é o caso do Brasil.”

O Brasil não é um país competitivo. Ele ocupa as últimas posições do ranking mundial de educação, tem uma das cargas tributárias mais altas do mundo e a população empregada tem baixo índice de produtividade.

“Se o governo não investe em educação, o brasileiro não consegue ganhar salários maiores. Se o governo não investe em tecnologia, o Brasil fica ultrapassado, improdutivo. Isto é, ganhamos pouco e nossa mão de obra não tem qualidade.”

2. Custo elevado das montadoras

Os funcionários brasileiros ganham menos, mas custam muito caro aos empregadores devido à legislação trabalhista. A indústria automobilística também se queixa do índice de produtividade dos trabalhadores.

Mas, se as leis trabalhistas já estão em vigor há décadas, por que as empresas escolheram o Brasil como parte de sua estratégia de expansão? D’Agostini explica:

“As montadoras vieram para o Brasil porque os governos estaduais e federais ofereceram isenção de impostos para instalação de fábricas. Em troca, elas empregavam os brasileiros e ajudavam a economia girar. Só que hoje, para muitas montadoras, está saindo mais barato sair do Brasil.”

O setor se beneficiou da onda consumista brasileira, da ascensão da nova classe média e da redução dos impostos para os consumidores, como a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Mas, na conjuntura de crise atual, o consumidor está mais cauteloso e um carro novo não é prioridade em um ano de aperto econômico.

3. Carga tributária pesada

Os impostos representam quase metade do valor de um automóvel no Brasil, ensina D’Agostini:

“Um Focus completo que custa R$ 67 mil, o consumidor vai pagar apenas em impostos R$ 28 mil, sem contar o IPI. Quase 50% sobre o preço final.”

O sistema de tributos no Brasil é complexo, com particularidades em nível federal, estadual e municipal. E, apesar de estar entre as 30 nações com maior carga tributária do mundo, o País está no último lugar no retorno de prestação de serviços públicos.

Para o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), os governos devem aplicar melhor os recursos arrecadados para melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população.

4. Manutenção das margens de lucro das empresas

Seguindo o exemplo do Focus (que custa R$ 67 mil), após o desconto dos impostos, R$ 39 mil iriam para a montadora, que usaria parte desse dinheiro para pagar os custos e, é claro, para obter lucro. D’Agostini detalha:

“A matriz não vai perder sua margem de lucro. Ela prefere enxugar as fábricas a reduzir seu lucro. Até mesmo sair do Brasil, caso não valha a pena o custo de montar carros por aqui.”

De acordo com o economista, para não penalizar o trabalhador e nem expulsar as indústrias, o governo poderia isentar alguns impostos, em troca de as empresas diminuírem um pouco a margem de lucro.

Mas, para o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, o setor já “nem tem lucro”.

Questionado se a indústria estaria disposta a reduzir seu lucro em troca reduções prorrogadas, o presidente disparou: “adoraria negociar isso, pois significaria que nós ainda temos margem de lucro”, segundo o site especializado Automotive Business.

Ao explicar a “crise financeira do setor”, Moan diz que de 2004 a março deste ano, a inflação medida pelo IPCA cresceu 62,5%, ao passo que os preços dos carros novos caíram 4,5%. Segundo o Automotive Business, esses dados acabam reforçando a tese de que as empresas mantêm uma alta margem de lucro, já que continuam no País apesar dessa disparidade de valores.

Todo esse blablabla ai de cima me lembrou esse vídeo aqui do Canal do Otário:

E esse aqui também, com a pergunta: O que você prefere, um Camaro ou um Gol Rallye?

Poisé né cara, não tá fácio ¯\_(ツ)_/¯