Por: Sistema Por Acaso | 3 anos atrás

Houve um tempo em que a ousadia era coisa de poucos no mundo do show-business. O comportamento dos astros e estrelas era cuidadosamente orientado para não provocar turbulências. Mesmo que a vida privada fosse caótica, a imagem pública era de uma divindade inatingível. A palavra “diva” deriva dessa construção de imagem.

madonna

E o que dizer dos artistas que nasceram e cresceram nesse mundo? Lisa Minelli e Michael Jackson, por exemplo. Ele, o máximo que ousou foi a célebre mão no pênis para simular alguma rebeldia. Nos anos 60 Jim Morrison causou tumulto ao masturbar-se diante do público e por cantar “fuck my mother”. Nos anos 80/90 do século passado, a cantora Madonna causou furor: além de todas as provocações com símbolos religiosos e declarações polêmicas. Lançou um livro, “Sex”, onde mostrar os pelos pubianos era o mais light. Digite no Google imagens pra ver. A modelo Naomi Campbell, a atriz Isabela Rosselini e o rapper Vanilla Ice co-estrelavam a publicação. Madonna podia. Morrison e Madonna eram exceções em suas épocas.

O mundo seguiu e no final do século passado início deste surgiram as tais “cantoras adolescentes”. Lá fora, Britney Spears foi o símbolo da pureza e da virgindade. Logo depois, Christina Aguilera. Por aqui, a cantora “Sandy & Junior”. Pouco tempo depois, Christina Aguilera, deixou a postura angelical para ensaiar alguns gestos de provocação, com declarações que hoje soam apenas engraçadas, mas simulavam alguma rebeldia, alguma revelação de sexualidade. “Não sou uma virgenzinha”, dizia, na tentativa de se contrapor à imagem de Spears. Bom Sandy & Júnior continuou a mesma.

Bom, a postura de Aguilera era o início de uma nova era, que mostram as diferenças entre lá e aqui pelo menos no quesito “carreira de cantora teen”. A comparação (em termos de continuidade) de Spears e Sandy & Junior muda a partir dos fatos a seguir. Em determinado momento a vida de Britney Spears virou um livro escancarado. Fotos dela bêbada, sem calcinha, casamento-relâmpago e outros fofocas eram comuns.

Esse tipo de exposição começou a se tornar o normal, não a exceção. Os anos se passaram, a MTV diminuiu sua influência e as cantoras diminuíram o pudor e o medo da exposição. Amy Winehouse era uma alcoólatra assumida, embora recatada nas poses e vestimentas. Ah, lembrando: pouco antes do fim da era MTV, Christina, Spears e Madonna deram um selinho em apresentação no MTV Awards. Um espanto, no dia, e hoje, quase infantil.

rihana

Nos últimos tempos, a coisa radicalizou: Rihana, a doce cantora de Umbrella, nascida em Barbados, Caribe, aparece numa masturbação simulada no clipe de Pour it up, e acaba na cama com Shakira em outro clip (Shakira que vinha de um provocativo rebolado como a coisa mais ousada). Uma tal Iggy Azalea se esfrega a Jennifer Lopez em outro clip. A ex-cantora adolescente Miley cyrus, a Hannah Montana sai das músicas melosas para uma apresentação “épica”, onde rebola no %$#@ do cantor Robin Think. Logo depois lança o clip Wracking balls, onde aparece nua sobre uma bola de ferro para demolição. E o suprassumo disso tudo é Anaconda, da cantora de Trinidad e Tobago Nicki Minaj. É de deixar funkeira carioca corada de vergonha.

E os cantores adolescentes não seguem caminho diferente: não podendo se esfregar em outro, o ídolo teen Justin Bieber enveredou pelas encrencas policiais. Na nossa opinião, até mesmo uns dias na cadeia faz parte do ritual de passagem desses ídolos teens. Largar um público (infantil ou adolescente) e alcançá-lo em outra fase (a da rebeldia e da descoberta sexual) é preciso oferecer-se com tal. Ou viram todos “Sandy & Junior”: imagem intocada para o público que cresceu ouvindo-os, mas que os abandonou assim que as novas fases da vida chegaram.