Por: Gabrielle Figueiredo | 3 anos atrás

Segue artigo publicado no site Anos 80

Quem não gostava dessas deliciosas balinhas? As balas Soft são sem dúvida o maior alvo de lendas urbanas da década de 80. Era tipo “ame ou odeie”, só que nesse caso, as teorias malucas sobre a Soft tinham um pouco de fundamento, já que um grande número de crianças realmente engasgaram com a deliciosa (e maldita) bala.

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Acho que pelo boca-a-boca dos relatos de ensgasgamentos com a bala Soft, ela ganhou status de lenda urbana e passou a ser chamada de “bala da morte”. Tinha que ter coragem quando se era criança para chupar uma balinha Soft, aparentemente tão inofensiva. Embaladas com plástico transparente, vinham em vários sabores e cores diferentes, o que chamava ainda mais a atenção da criançada.

A bala Soft e as lendas urbanas

O fato é que tinha tanta teoria descabida que chega a ser engraçado. As mais absurdas davam conta de que a bala Soft era um experimento nazista, projetada para matar uma parte da população latina, promovendo uma “limpeza étnica”; ou então que era fabricada por traficantes de órgãos e com as crianças morrendo, teriam mais órgãos disponíveis no mercado. Pra completar, a mais bizarra que já ouvi falava que a bala era de um grupo chamado Nova Era, que introduziu a bala no mercado para concretizar uma profecia, a de que 666 crianças deveriam morrer pelo prazer para trazer ao mundo a besta do apocalipse. Wow! Haja criatividade.

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Claro que as lendas urbanas não teriam sido criadas se alguns episódios com a bala não tivessem de fato ocorrido. À medida que você chupava a bala, ela ia ficando cada vez mais lisa e qualquer bobeira poderia fazer com que ela deslizasse e se encaixasse como uma luva na sua traquéia, impedindo a passagem de ar. E toma tapa nas costas.

Lembro que para tirar minha bala da garganta, meus pais me seguraram de cabeça para baixo e sacudiram muito. O curioso é que já li relatos como esse pela internet, então nem toda lenda urbana é falsa. Aliás, o que não falta são relatos de pessoas que engasgaram com a Soft.

Os criadores da bala Soft e seu fim

Os responsáveis pela criação das balas Soft não foram nazistas, traficantes de órgãos nem fanáticos religiosos. Na verdade foram ex-funcionários da Kibon que fundaram uma empresa chamada Q-Refresco, ainda nos anos 60.

A Q-Refresco seria um braço da Kibon, pois havia um acordo comercial onde a Kibon atuaria na área de sorvetes e a Q-Refresco fabricaria produtos secos distribuídos pelas marcas de pó para refresco Tang, chicletes Ping Pong e Ploc, balas de goma Jujuba e chocolates. A empresa acabou idealizando e comercializando as famigeradas balas Soft nos anos 80.

Já encontrei fotos que mostram balas parecidas com a Soft com um furo no meio, mas não foi o que a fabricante fez na época. Na verdade, a bala foi recolhida devido ao perigo de engasgamento mesmo e foi relançada em formato meio retangular, o que facilitaria a passagem dela caso fosse engolida.

A Kibon foi comprada pela Philip Morris, fabricante de cigarros, em 1985. Em 1993 a Q-Refresco também passou a pertencer à Philip Morris. Um artigo da Agência do Estado informou a compra das ações da Q-Refresco em uma joint venture entre Kibon (controlada pela Philip Morris) e Recol.

Desde 1970 a empresa havia começado a comprar outras empresas do ramo alimentício e de bebidas, provavelmente uma estratégia já prevendo o acirramento da guerra contra o tabaco no mundo. A bala Soft não é mais fabricada.