Por: João Marcos | 6 anos atrás

Dois trabalhos acadêmicos relacionados com comunicação e consumo alcançaram destaque durante congresso internacional realizado em São Paulo nesta semana. Jeferson L. Feuser e Mayara Gutjahr, de Jaraguá do Sul, egressos de pós-graduação da Católica de Santa Catarina, tiveram seus projetos de estudos aceitos no II Comunicon – Congresso Internacional em Comunicação e Consumo e após serem apresentados passam a integrar os anais do evento, um dos mais importantes espaços de estudos, realizado na ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing.

Jeferson L. Feuser é pós-graduando em Comunicação Integrada de Marketing e pesquisador na área de comunicação, tecnologia e web. O trabalho com o tema “As mudanças na comunicação mercadológica e a realidade dos profissionais da área no Brasil” busca, conforme o acadêmico, ”respostas a questionamentos recorrentes no mercado: Como utilizar as novas plataformas de comunicação e como as organizações estão se posicionamento diante deste cenário, tão complexo e que pode proporcionar ainda mais efetividade no esforço de comunicação”.

Para o pesquisador, a apresentação do artigo no congresso internacional reforça o objetivo pessoal e profissional de poder contribuir com a disseminação da informação, com a discussão acadêmica e com a geração de conhecimento. “Além da revisão da literatura, que visou mapear a evolução das plataformas de comunicação, foram realizadas 25 entrevistas com profissionais com experiência, conhecimento e atuação na área de comunicação mercadológica de todo o país, onde se pode ter acesso a percepção destes profissionais sobre a utilização das novas plataformas no contexto competitivo atual”.

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Jeferson assinala que entre os principais pontos encontrados, verificou-se que as organizações têm se deparado com a mudança no perfil de um consumidor que antes apenas consumia informação, mas que hoje está cada vez mais ativo, ou seja, sua participação nas ações de comunicação é muito mais intensa. ”De acordo com os profissionais entrevistados, as organizações parecem atentar para as novidades, mas com uma compreensão aquém da necessidade para a realização de um bom trabalho de comunicação nesse contexto.

Os resultados descrevem um estágio de adaptação, onde as mudanças são recentes e poucas organizações têm o know how para atuar plenamente no novo cenário. Existem evidências de que a utilização de novas plataformas para interagir com as pessoas pode significar um passo à frente na arena competitiva, mas somente se as organizações compreenderem essa nova perspectiva e esse novo formato da comunicação mercadológica. O uso de novas plataformas, seguindo uma tendência do mercado, não significa uma performance adequada. Os dados apontam que deve ocorrer o acompanhamento contínuo, o monitoramento do comportamento das pessoas e seus movimentos relacionais. A partir disso, negócios e oportunidades de relacionamento e engajamento podem surgir por meio do encontro eficaz entre marca e consumidores nas novas plataformas”.

Para o professor Karlan Muniz, orientador de Jeferson, o trabalho é oportuno para o debate acadêmico e profissional, ao investigar o contraste entre o que fala a teoria e o que se enxerga na prática das empresas, quando o assunto é comunicação de mercado e o uso das ferramentas digitais. “Tudo relacionado à internet e redes sociais chama a atenção na área de marketing, mas até que ponto estar na moda implica em rápido aprendizado e fazer o uso certo da técnica? Por um lado, a teoria mostra mudanças de comportamento do consumidor, o aumento da complexidade e principalmente o aumento de possibilidades de comunicação com o uso de plataformas e redes sociais. A prática mostra que a curva de aprendizado é mais lenta, exigindo maturidade com o assunto, exigindo a formação de parceria saudáveis os entre profissionais das empresas e das agências especializadas e até sugerindo a participação mais forte da universidade para dar a velocidade necessária ao processo de aprendizado das ferramentas e possibilidades. Comunicar num campo novo envolve algumas certezas, mas também muitas novidades. É um processo que naturalmente envolve a experimentação e a disseminação de conhecimento”.

Outro artigo, desenvolvido pela acadêmica Mayara Gutjahr, também do curso de especialização em Comunicação Integrada de Marketing, tem como tema “Representações da Infância: o consumo nas páginas do suplemento infantil Folhinha”, com orientação da professora Valquíria John.

Formada em Jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Mayara comenta que o artigo foi escrito com base na monografia de Conclusão da graduação. Explica que a pesquisa se propôs a verificar de que maneira o suplemento infantil ‘Folhinha’, do jornal “Folha de S. Paulo”, trabalhou com as questões relacionadas ao consumo nas edições publicadas nos meses de janeiro a dezembro de 2010. Como procedimento metodológico para a coleta e análise das 51 edições que compuseram o universo deste estudo, ela utilizou a proposta da Análise de Conteúdo (Bardin, 2010), partindo do conceito de Desenvolvimento Humano, seguindo a proposta de categorização de conteúdo adotada pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). “Como é na infância que a criança apreende boa parte das experiências que poderão ser resgatadas ao longo da vida, percebeu-se que a ‘Folhinha’ trabalha, de maneira geral, para que as crianças não se tornem consumidoras em potencial antes do tempo”, assinala.

Dentre os objetivos traçados com a pesquisa, Mayara aponta a intenção de analisar as representações da identidade infantil construídas nos conteúdos do suplemento; a avaliação sobre como se trabalha as questões relacionadas ao consumo; o exame quanto à maneira como os negros são apresentados e representados pelas classes mais favorecidas, como é o caso do público leitor da “Folha de S. Paulo”; e verificar a relevância social e educativa das matérias veiculadas no período de janeiro a dezembro de 2010.

“É muito bacana ter o seu artigo aprovado em um congresso tão importante na área da Comunicação”, resume a jornalista, lembrando que foi um ano (junho/2010 a junho/2011) dedicado somente à realização do trabalho com a finalidade de alcançar todos os objetivos propostos. “A aprovação do artigo é o reconhecimento de uma pesquisa realizada com muito carinho e empenho. É, com certeza, gratificante”.