Por: Sistema Por Acaso | 4 anos atrás

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Imaginem que pequenas passagens fílmicas sejam levadas à sua unidade mínima, o fotograma, para logo serem impressas e intervindas por processos manuais, de coloridas tintas e solventes corrosivos. Ao serem recompostas novamente em vídeo, alteradas profanadas, essas imagens sobrevivem, mas não sem passar por algum tipo de metamorfose.

O processo de intervenção em fotograma, desenvolvido por Javier Di Benedictis (Buenos Aires, 1985), funciona dessa forma. Recusando aquilo que se poderia chamar de cromofobia, sensibilidade que se ampara na brancura e no asséptico, o artista reivindica a atualidade multicolorida dos neons das tonalidades digitais, porém, autonomizando a cor em relação às formas.
Assim, instala-se um artifício que perturba a realidade através de uma espécie de pestanejar, causando um tipo de ofuscamento ou miragem produzida pelo excesso colorante que faz resplandecer a superfície numa gloriosa dança de luzes.

Esta é uma exposição que convida ao olhar delirante do sonhador, que se afasta do território conhecido em busca das surpresas selvagens que incidem sobre as imagens e que se fascina, novamente, pelo trepidar da fogueira e a projeção de sua sombra, vista pelos olhos humanos, desde tempos imemoriais, como algo enigmático, sempre sujeito ao jogo de desaparecimento
e reaparecimento, descompassado no tempo e sobreposto no espaço.