Por: Isah Sanson | 7 anos atrás

Alguns leitores da sessão À Flor da Pele me indicaram um documentário do History Channel (cliquem aqui para conferir), sobre as tatuagens da máfia Yakuza. Coisa finíssima, por sinal. Por isso, hoje vou falar um pouquinho sobre a Yakuza e suas tatuagens.

A Yakuza é uma máfia japonesa onde os membros possuem tatuagens características, e que surgiu como diversas associações criminosas, que obedeciam a regras bem rígidas e específicas, no início do século XVII.

As tatuagens estampadas nos membros da Yakuza são sinais de fidelidade, e são uma forma de afiliação ao clã. Eles tatuam quase todo o corpo, formando uma espécie de “armadura” com várias imagens, com significados tradicionais (como o dragão e as flores de cerejeira). Como as tatuagens sofrem um enorme preconceito no Japão por estarem associadas ao crime, os membros costumam não tatuar lugares visíveis como mãos, pescoço, rosto. etc. Além disso, as tatuagens são feitas no processo Tabori, uma forma “artesanal” e milenar de tatuagem que consiste em utilizar várias agulhas conectadas a um cabo de madeira. Deve doer pra caralho muito! Talvez isso seja uma forma de comprovar que é forte, também.

Dentro da Yakuza existe uma hierarquia social que deve ser rigorosamente respeitada, bem como todas as suas leis. Apesar de já haver mulheres e até possuirem grandes posições, elas nem sempre foram aceitas, porque eles acreditavam que as mulheres foram feitas para serem mães e para cuidarem de seus maridos, não devendo se meter nos negócios dos homens. Um outro motivo pelo qual as mulheres não eram aceitas na yakuza é que não se deve falar sobre o grupo a ninguém de fora, e eles acreditavam que as mulheres não seriam fortes o suficiente para se manterem caladas caso fossem interrogadas pela polícia ou por algum inimigo. Os clãs são organizados com base semelhante a de uma família, e possue uma média de 20 a 200 integrantes.

Apesar de possuir um status praticamente mitológico, amplamente retratado no cinema, na literatura e nas artes plásticas e de fascinar qualquer pessoa que goste de estudos sociológicos ou antropológicos pela riqueza em tradições, regras e normas – podendo ser comparada a uma religião – não podemos esquecer o aspecto principal da máfia que é conhecida no mundo todo por controlar as ruas centrais de Tóquio e punir com o corte de um dedo todo membro que descumprir as regras ou trair o grupo.

O fotógrafo Anton Kusters ficou cerca de 2 anos acompanhando, estudando e fotografando membros de um clã Yakuza. Todas as imagens utilizadas neste post são dele.