Por: Sistema Por Acaso | 8 anos atrás

Dias desses eu vi a cidade com outros olhos. Literalmente. Logo cedo, peguei um caminho diferente e tive uma visão, pois enxerguei a imagem que eu sempre fazia nos meus cadernos de desenhos: umas montanhas com um sol nascente brilhante ao lado.

Seguramente, na minha mente infantil, aquele era o mundo perfeito, pelo menos para tentar a nota máxima na avaliação. Quando vi a imagem real, retratada no horizonte jaraguaense, caiu a ficha: vivemos numa cidade perfeita, ou pelo menos deveríamos.

A natureza estava assim quando o coronel belga Emílio Carlos Jourdan chegou com sua turma. Em seguida, a geografia começou a mudar com a vinda de pessoas de várias latitudes, atraídas pela prosperidade da vila que tinha alambiques, queijarias, olarias, fábricas de salame, banha, entre outras. O crescimento industrial potencializou a expansão da cidade em direção ao morros, e as consequências todos conhecemos.

A cidade que tem a expressão “Grandeza pelo Trabalho” estampada na bandeira, precisa levantar a cabeça para pensar. Todos nós podemos refletir sobre o que estamos fazendo pra preservar a natureza, mesmo que pareça que não podemos fazer nada.

Certa vez ouvi o navegador Amyr Klink dizer que é perfeitamente possível uma pessoa tomar banho com 2 litros de água. Não levei muita fé na ocasião, mas tive que experimentar quando a torneira lá de casa secou, na semana passada.

 

Marcelo Lamas, escritor.
marcelolamas@globo.com
Publicada no ANJaraguá