Por: Sistema Por Acaso | 3 anos atrás

POST PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 11 DE JULHO DE 2015

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Muitos podem não saber, mas a atuação do Corpo de Bombeiros Voluntários no dia a dia dos jaraguaenses está para completar 50 anos. A data exata de fundação foi 22 de agosto de 1966. Na época eram 17 voluntários em uma sede provisória, dispostos a doar tempo e dedicação para um bem comum.

Se considerarmos a dimensão populacional de Jaraguá do Sul, a afirmação de que a corporação é uma das mais bem equipadas do país não é uma simples consideração. São praticamente 150 mil habitantes que contam com o suporte de 120 bombeiros voluntários e 55 efetivos, posicionados entre a sede central e outras quatro unidades descentralizadas. Para os atendimentos, são seis ambulâncias, contando duas do Samu, e cinco caminhões de combate a incêndio.

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Para o sub-comandante, Robson Manske, a evolução dos bombeiros enquanto instituição na cidade está intimamente ligada com o respaldo da comunidade. Ele lembra que a fundação da corporação nasceu com o próprio desenvolvimento econômico da cidade. Na época, os novos negócios surgiam, a maior parte engenhos, buscando investimentos em bancos, mas tinham pedidos negados pelo risco. As estruturas eram basicamente de madeira, e os processos com os alimentos lidavam com fogo.

Dessa simples atuação de resguardo, hoje os bombeiros somam atribuições.

“Nascemos da comunidade e isso nos faz ficar mais fortes, ir para frente. Temos as pessoas que doam o trabalho, e a comunidade e o setor empresarial sempre presente. Onde a comunidade está ativamente inserida, os resultados são sempre melhores”, comentou Robson.

O contexto de atuação dos bombeiros é amplo, são em média 35 ligações em dias comuns. As chamadas de ocorrências médicas são as mais comuns, seguidas de perto pelos acidentes de trânsito. A corporação atende todo o município, entrando no pacote a BR-280 até o limite com Corupá, e a SC-110, no caminho à Pomerode. Segundo Manske, a maior parte desses registros envolvem excesso de velocidade ou consumo de álcool, sinônimo da imprudência dos condutores.

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Fora da rotina de atendimentos, meio século de atuação em Jaraguá do Sul também reservou momentos marcantes. Situações que mexeram com o município e desafiaram ainda mais os voluntários, que se colocam na linha de frente para atender a população. A maior parte deles registrados nos últimos anos. Confira a lista de fatos que marcaram a corporação.

Março de 2006 – Incêndio em fábrica de papel

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Na época, foi notificado que o incêndio consumiu mais de 450 toneladas de papel estocadas em dois galpões de uma empresa de papel reciclado localizada na Rua Augusto Mielke, no bairro Baependi. Bombeiros voluntários de Jaraguá do Sul e Guaramirim trabalharam arduamente para apagar as chamas e controlar o foco, já que era uma área residencial. “O desgaste físico no combate é muito grande. Você veste a roupa de aproximação que pesa em torno de 7 a 10 kg, e ainda vai absorvendo a água do suor e pesando ainda mais”, explica o sub-comandante.

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Fevereiro de 2007 – Incêndio em depósito de plástico

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A empresa de plástico atingida ficava a poucos metros da sub-sede dos bombeiros na Barra do Rio Cerro. Mesmo assim, quando a corporação chegou a um dos depósitos aonde o incêndio havia começado, as chamas já estavam para cima do telhado dos galpões. Como o produto era muito inflamável, o fogo se espalhou rapidamente e já tomava grandes proporções. Corupá, Joinville e Guaramirim foram rapidamente acionados para apoio. Foram horas intensas de atuação, a ocorrência iniciou às 22h15 e os bombeiros conseguiram acabar com os focos na manhã seguinte, por volta das 8h. Cerca de 80% da área de seis mil metros quadrados da empresa foram atingidos. Robson lembra que, como o incêndio já havia se alastrado, os bombeiros assumiram posicionamento para evitar que as chamas chegassem a outros galpões, principalmente os equipamentos. Foram mais de 700 mil litros de água para conter o fogo.

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Novembro de 2008 – Desbarrancamento na Barra do Rio Cerro

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Até aquele momento, Jaraguá do Sul e os próprios bombeiros não haviam presenciado um cenário tão impactante. A terra que havia deslizado na Rua Ângelo Rubini em cima de uma casa e duas revendedoras de automóveis deixou um rastro de destruição. Carros amontoados, escombros e fogo. Enquanto a cidade tentava compreender a situação, os bombeiros voluntários trabalhavam, desde o primeiro instante, para buscar as vítimas. O sub-comandante Robson Manske estava na segunda viatura a chegar no local, e lembra do resgate do único sobrevivente entre os nove integrantes da família atingida. “Chovia muito quando chegamos ao local, e estávamos orientando os próprios bombeiros para cuidar com a segurança. Começamos a chamar e escutamos o menino responder e já trabalhamos naquele local”, conta. O desmoronamento aconteceu durante a madrugada e foram quase 24 horas até a operação de resgate das vítimas soterradas.

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Dezembro de 2009 – Incêndio no edifício residencial

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As chamas iniciaram em um dos apartamentos do décimo andar do edifício Amaranthus, localizado no centro de Jaraguá do Sul, e rapidamente se espalharam para outro imóvel, isolando três pessoas na sacada. Esse incêndio foi um dos maiores dessa natureza, mas pela ação rápida dos bombeiros, o fogo foi controlado com rapidez. Foi feito combate ofensivo diretamente no andar. Duas vitimas foram retiradas pela própria sacada com apoio do helicóptero Águia da Polícia Militar de Joinville. A terceira pessoa conseguiu sair pelo corredor.

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Junho de 2014 – Enchente em Jaraguá do Sul

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Historicamente, a enchente de 1984 era considerada a maior. Mas a quantidade de chuva que caiu em Jaraguá do Sul em junho do ano passado deixou o município em situação bem mais alarmante. O acumulado de chuvas de mais de 300 milímetros teria afetado, segundo informações da Defesa Civil, mais de 70 mil pessoas. Foram registrados mais de 130 pontos de alagamento. Defesa Civil e Bombeiros Voluntários seguiam com suporte à comunidade com apoio direto da Polícia Militar, Jeep Club, Gerar, Clube de Canoagem Kentucky e Clube de Trilheiros. Foram dois dias seguidos de trabalho intenso para retirada de pessoas de áreas de risco. Com a resposta rápida aos casos mais urgentes, não houveram vitimas fatais.

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Extra: Inauguração da sede em outubro de 1968

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Após ter conseguido doação de um terreno logo após a fundação em 1966, os Bombeiros Voluntários criaram o chamado “Livro de Ouro” para receber doações para construção da sede. Ter o prédio para centralizar as atividades foi o primeiro marco para a corporação rumo a consolidação do trabalho na cidade. Primeiro foi erguida a torre de madeira destinada a secagem das mangueiras de combate aos incêndios. Depois, foi a chamada sede social, ponto que até hoje abriga os bombeiros.

Foto: Marcelo Schmidt Roberti – Grupo Antigamente em Jaraguá do Sul

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