Por: Ricardo Daniel Treis | 23/05/2011

O que era para ser apenas mais um caso de furto de documentos terminou revelando uma farsa, segundo a Polícia Civil de Jaraguá do Sul. Tudo começou em fevereiro, quando uma mulher, identificada como Neli Ferreira Borges, 64 anos, prestou queixa por ter os documentos furtados. Como de praxe, ela foi encaminhada ao setor de identificação de Jaraguá do Sul. Foi quando o Instituto-geral de Perícia (IGP) constatou que as digitais eram de outra pessoa – Santalina Borges Meurer.

A polícia abriu inquérito para investigar o caso e descobriu que Santalina usava, na verdade, a identidade da irmã, falecida há 35 anos. Segundo o delegado Marco Marcucci, a mulher já foi ouvida. “Ela compareceu com o advogado e se reservou ao direito de falar em juízo”, disse. De acordo com ele, os três filhos dela também foram ouvidos. “Aqui eles me disseram que não sabiam de nada, mas ficamos sabendo que em casa ela lhes contou toda a verdade”.

Segundo o delegado, a história começou em 1971. Naquele ano, a pedido do pai, Santalina casou-se com Jacob Bernardo Meurer, bem mais velho que ela, e passou a se chamar Santalina Borges Meurer.

Em 1976, separada do primeiro marido, casou-se novamente, usando os documentos pessoais da irmã Neli Ferreira Borges, já falecida, porque na época não era permitido o divórcio. Foi então que Santalina passou a assumir o nome de Neli.

Outra questão apurada pela Polícia é que desde 1977, com o falecimento do primeiro marido, a acusada de fraude ainda utiliza os documentos verdadeiros, como viúva, para receber o benefício do INSS. “Quanto a isto não há irregularidade, até porque ela usa os documentos verdadeiros”, descreveu o delegado. O delegado ainda não sabe como irá enquadrar a mulher. “Iremos ouvi-la mais uma vez para saber a extensão do crime, que bens ela comprou ao longo dos anos como Neli. Somente aí poderemos definir se ela irá responder por estelionato, falsidade ideológica,” disse Marcucci.


Mais uma desse mundo bizarro, via AN.