Por: Gabrielle Figueiredo | 01/12/2015

Este dia 1º de dezembro marca a campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids. A data foi instituída em 1988 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma data simbólica de conscientização para todos.

A OMS estima que existem 35 milhões de pessoas vivendo com o HIV/AIDS no mundo e pouco mais de 2 milhões de novas infecções detectadas apenas em 2013.

No cenário nacional, os dados de Santa Catarina revelam uma realidade preocupante. São 34.547 casos de AIDS acumulados de 1984 a dezembro de 2013 e uma taxa de incidência de 32,5 novos casos por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde. Desta maneira, o estado está com a terceira maior taxa de incidência, abaixo apenas do Rio Grande do Sul e Amazonas.

Slogan da campanha em Jaraguá do Sul

Slogan da campanha em Jaraguá do Sul

Mas você sabe como está o panorama da doença em Jaraguá do Sul?

Aumento de casos

Jaraguá do Sul tem um acumulado de 74 casos novos até o momento em 2015, número que aumentou muito comparado aos 28 casos diagnosticados em 2014.

Esse aumento pode estar relacionado com dois fatores: a inserção dos testes rápidos no cotidiano de todas as unidades de saúde do município e o aumento de casos de sífilis, onde as pessoas também foram encaminhadas para testar o HIV, descobrindo a sorologia positiva.

Foram realizados, em Jaraguá do Sul, até o mês de novembro, 4215 testes rápidos para o HIV, sendo que 18 deles tiveram o resultado positivo. Além disso, foram feitos mais 5.979 testes no laboratório municipal.

Veja os números de casos na região:

casos no município aids

Atualmente existem 723 pessoas em tratamento em Jaraguá do Sul. Confira o depoimento de uma delas:

depoimento

Como fazer o teste

A pessoa que já teve relação sexual sem preservativo pode procurar uma Unidade de Saúde e se informar sobre o teste de HIV. Ele é gratuito, não necessita de nenhum encaminhamento médico e o sigilo é garantido.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O teste rápido está disponível em todas as unidades de saúde, fica pronto em 20 minutos e precisa apenas de uma picadinha na ponta do dedo. O teste laboratorial pode ser feito no Laboratório Municipal (contato 2106-8330) na rua Jorge Czerniewicz, 800 – Bairro Czerniewicz.

Qualquer pessoa pode ter o vírus

O grande objetivo do município é na ampliação da oferta ao diagnóstico precoce da infecção pelo HIV e ao tratamento de todos os casos diagnosticados. Isso porque qualquer pessoa pode ter o vírus se algum dia já fez sexo sem camisinha.

Conforme Fabiane Da Silva Ananias, Gerente de Vigilância Epidemiológica existem populações mais vulneráveis, como os gays, profissionais do sexo e os usuários de drogas, mas qualquer pessoa está sujeita. “A vulnerabilidade é de todo mundo, porque sexo todo mundo faz”, afirma.

Em Jaraguá, 63% dos 74 novos casos são masculinos, sendo que 48,7% são homossexuais, predominantemente de 14 a 29 anos, e 51,3% são heterossexuais predominantemente de 30 a 54 anos.

Então, desses novos casos 37% são mulheres, sendo que 83% tem de 30 a 54 anos; 13%  de 14 a 29 anos.

Aparência não é sinônimo de doença

A informação que a AIDS tem aparência é errônea. Isso porque a pessoa que faz o diagnóstico do HIV pode descobrir o vírus encubado, enquanto ainda estiver saudável.

“Então essa ideia de quem vê cara vai ver AIDS não está certa”, reforça Fabiane. Por isso, é importante que toda pessoa que já fez sexo sem camisinha faça o teste e não espere se sentir doente ou magra.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Fabiane explica que esse é um dos motivos porque as pessoas estão se infectando, por pensarem que a outra pessoa com quem se relaciona não tem a doença julgando só pela aparência.

“AIDS não tem cor, não tem raça ou condição econômica. Ela é pra todo mundo que não se cuidar”, complementa.

Em Jaraguá, 54% das pessoas diagnosticadas neste ano foram identificadas como portadoras saudáveis do vírus, o que reforça a importância do teste. Em 2014 este percentual foi de 42%.

Conforme Fabiane, depois que a pessoa se infecta, ela pode demorar de dois a 10 anos para sentir os primeiros sintomas, que podem variar de emagrecimento, dermatite na pele, fraqueza, suor à noite, diarreia persistente e dificuldade para se alimentar, por exemplo. Esses sintomas são causados pela baixa na imunidade, que é destruída pelo vírus.

Porém, a pessoa pode também não sentir nenhum desses sintomas e de uma hora pra outra ter uma meningite, uma pneumonia ou até um tumor. “A imunidade dela baixou tanto que ela vai desenvolver uma doença que a gente chama de oportunista, que aparece quando a pessoa está debilitada”, explica.

Portanto, essa pessoa tem o vírus e ele passa pra outras pessoas se ela transar sem camisinha. Ela precisa se tratar pra não deixar a imunidade cair ao ponto de ficar doente. “Temos pessoas que vão ser portadoras do HIV a vida inteira, mas vão começar a tomar medicação assim que descobrem e eles nunca vão chegar a ser doentes de AIDS”, reforça. “A medicação vai impedir que o vírus entre na célula de defesa e destrua ela e se multiplique”, complementa.

E pra quem quer entender melhor sobre o tema, esses vídeos podem ajudar de uma maneira descontraída: 

Foto destaque: Divulgação