Por: Deivis Chiodini | 23/01/2014

Com o contrato assinado com a Fox Sports, uma das coisas que mais preocupou os fãs do UFC era o aumento de eventos e com isso a qualidade dos cards. E isso realmente vem acontecendo, alguns eventos tem tido cards fracos, até mesmo com main events que antes seriam lutas de meio de card. Para esse sábado, o UFC preparou um bom card principal, dando “start” nos bons eventos do ano. No card preliminar, teremos a presença do brasileiro Hugo Wolverine. Vamos a análise do card principal:

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Darren Elkins x Jeremy Stephens (categoria dos penas): O irregular Jeremy Stephens terá a chance de provar que finalmente encontrou seu caminho ao baixar para os penas. Vindo de duas boas vitórias, a última com um nocautaço em Rony Jason, ele terá pela frente o metódico e estrategista Darren Elkins, que tem 6 vitórias em suas últimas 7 lutas. Elkins é o clássico wrestler americano, que espera apenas a primeira brecha pra grudar no oponente, tentar levar ao solo e controlar no ground and pound, ou no minimo trabalhar no clinche próximo a grade. Já Stephens tem um estilo mais porradeiro, gosta de trocar, e apesar de ser faixa preta de BJJ, apresenta algumas brechas no jogo de grappling, o que podem lhe complicar contra um wrestler de alto nível como Elkins.
Palpite: Elkins controlando no chão por pontos.

Donald Cerrone x Adriano Martins (categoria dos leves): Uma luta entre o 8° do ranking e um desconhecido do grande público parece uma grande “baba” não é? Nesse caso, errado!
Adriano Martins é um grande lutador e se não sentir o peso de estar no main card contra um top 10, tem condições de fazer uma luta parelha com Cerrone. O “Cowboy” como Cerrone é chamado, já falou antes da luta que não conhece Adriano e que aceitou a luta por estar quebrado financeiramente. Os dois são lutadores bem completos, mas na parte de pé Cerrone tem vantagem. Dono de um kickboxing de alto nível, Cerrone consegue controlar bem a distância e combinar bons golpes no corpo e no rosto, conseguindo nocautes. No chão, Cerrone tem bom jogo, com uma guarda ativa, mas Adriano é um ex campeão mundial e renomado atleta no jiu jitsu. Quedar e cair por cima deve ser sua estratégia, até achar uma brecha para um ataque ao braço de Cerrone ou mesmo nocautear, pois Martins tem um ground and pound eficiente.
Palpite: Prevejo uma batalha, mas com Cerrone levando por pontos.

Stipe Miocic x Gabriel Napão (categoria dos pesados): Stipe Miocic frustrou muita gente ao vencer de maneira incontestável Roy Nelson e acabar com sua boa sequência. Já o brasileiro Gabriel Napão, que chegou a ser demitido do evento em 2010, ressurgiu e venceu 4 das suas últimas 5 lutas (perdeu apenas para o contender Travis Browne), sendo as duas últimas nocautes fulminantes ainda no primeiro round. Miocic é um lutador muito inteligente, com gás e mãos afiadas, com um boxe de bom nível na média distância. O brasileiro Napão vem evoluindo muito na trocação, equilibrando melhor socos e chutes,e já mostrou poder de nocaute (seu head kick em CroCop está na história), mas seu queixo não é tão resistente. Na parte de chão, Napão é amplamente superior, com qualidade no jiu jitsu para atacar Miocic por cima ou por baixo,e vencer a luta e essa é a estratégia mais segura para o brasileiro. Um ponto que pode ser favorável ao americano é o gás, já que Napão costuma cansar do 2° round em diante.
Palpite: A lógica aponta para Miocic, mas vejo Napão no seu auge, até melhor de que quando disputou o cinturão. Vou de Napão, na guilhotina no 2° round.

Benson Henderson x Josh Thomson (categoria dos leves): O último campeão enfrentará o lutador que lutaria pelo cinturão agora (o campeão Anthony Pettis se machucou). Dá pra esperar algo menos que uma grande luta? Ben Henderson, apesar de ter perdido o cinturão de maneira rápida em um erro contra Pettis, sintetiza tudo o que um lutado moderno de mais alto nível pode ter: Gás infinito, bom na trocação, com variação constante de chutes e socos, wrestling de alto nível e um jiu jitsu afiado. Lhe falta apenas mais contundência em finalizar suas lutas, já que a maioria acaba indo para mão dos juízes. Josh Thomson é um cara relativamente desconhecido do público que começou a ver MMA a pouco tempo e só conhece o UFC. Ele é um casca grossa de primeira (além de ter um dos apelidos mais legais do MMA, “The Punk”). Ex campeão do Strikeforce, protagonizou uma trilogia épica com Gilbert Melendez e nocauteou de maneira impiedosa o antes nunca nocauteado Nate Diaz em abril do ano passado. A luta tem tudo para ser aquelas em que um erro basta para o adversário capitalizar pontos. Bendo deve usar do seu consistente padrão de chutes baixos e quedas para tentar controlar o ímpeto de Thomson, que também tem um bom jogo de chão, mas as vezes é afobado por baixo, podendo até dar alguma brecha para uma finalização. The Punk deve tentar manter a luta de pé, e acuar Bendo, que as vezes mostra um pouco menos de garra do que se espera um lutador de seu nível, e se abate se golpeado. Josh tem mais poder de nocaute e “sente o cheiro” de sangue, não costumando perdoar quando seus adversários ficam grogues.
Palpite: Um jogo de xadrez. Como Bendo se arrisca menos, costuma errar muito pouco. Ben Henderson por pontos em uma grande luta.