Talentos jaraguaenses: Franco, o designer que trocou o mouse por papel e tesoura

Linha, agulha, tecido e tesoura.
Cola, papel, massinha e gesso.

Quem pensa nesses objetos e materiais pode pensar que eles pouco têm a ver com design gráfico. Mas não é o que pensa o jaraguaense Franco Giovanella.

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A infância já daria o sinal de que o adulto se tornaria um artista. Desde pequeno, desenhava gibis com os amigos, tirava cópias e distribuía para a sala ler. A cada semana, a turma recebia uma história diferente. Assim como a história que vou contar para vocês agora…

A talentosa mente por trás do estúdio Rendi (lê-se “réndi”, nome inspirado na palavra inglesa “hand” = mão) é multifacetada.

Falo isso com propriedade porque tive a honra de dividir o palco dos teatros da Scar com Franco, lá por meados de 2008. O espetáculo multimídia “O Cavalinho Azul” (remontagem de Maria Clara Machado), dirigido por Gilmar Moretti, vinha com uma proposta inovadora em Santa Catarina, onde atores projetados no palco através de vídeo contracenavam com atores reais. Era a união da antiga arte do teatro com as novas tecnologias.

Franco interpretando "João de Deus" na peça infantil muntimídia "O Cavalinho Azul"

Franco interpretando “João de Deus” na peça infantil muntimídia “O Cavalinho Azul”

Hoje designer, Franco parece ter feito justamente o sentido inverso, apropriando-se do artesanato para renovar o design gráfico, tão amparado por computadores e novas tecnologias. A premissa é simples: invés de contar com o computador como única ferramenta, ele literalmente coloca a mão na massa.

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“Claro que o computador facilita, mas o processo de criação é enriquecido se levantamos da cadeira e estamos livres para experimentar outras possibilidades. Gosto de procurar referências na rua, em contato com a natureza. Esse distanciamento do escritório permite esvaziar a mente, enxergar o que muitas vezes passa desapercebido ao nosso redor e criar com uma linguagem diferente”, comenta.

É justamente por permitir que a liberdade e criatividade andem de mãos dadas nos projetos que ele cria esses materiais LINDOS aqui:

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Do teatro (que entrou na vida dele na infância, para superar a timidez), ele tirou a lição de que é preciso imaginar e experimentar para criar.

Da faculdade de Publicidade (que ele acabou abandonando logo no último ano) e da rotina louca em agências veio a constatação: a pressa é a inimiga da criatividade (e da perfeição, por que não? É só olhar o resultado incrível nas fotos ali de cima)

“Não conseguiria desenvolver esses trabalhos manuais em agências, onde tudo é corrido e feito na pressão. Não tiro o mérito desses profissionais, mas gosto de desenvolver as ideias com carinho e tempo. Hoje, algumas agências são meus clientes”, diz.

E o novo olhar trouxe desafios profissionais e pessoais. Para trabalhar com design gráfico tendo como foco principal o trabalho manual, ele teve que aprender a costurar, fazer esculturas de papel tridimensionais com a técnica papercraft e, principalmente, ter doses extras de paciência:  “Aprendi a não ficar agoniado para ver o resultado final do trabalho, mas sentir prazer e apreciar todo o processo criativo”.

"Três horas na mesa de cirurgia" - legenda original

“Três horas na mesa de cirurgia” – legenda original

Os dedos furam com a agulha? Sim. A mão corta com o estilete? Sim. O resultado vale a pena? Franco não tem dúvidas que vale…e eu também não.

Para conhecer mais sobre o – belíssimo – trabalho do Franco Giovanella, confere aqui o site do Estúdio Rendi.


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