Profissão: contador de histórias

Em um mundo cada vez mais conectado, como podemos envolver as crianças dentro do universo da literatura? Como fazer que desde pequenos eles saibam a importância dos livros?

Neste Dia Nacional do Livro, além dos escritores, cronistas, poetas e outras profissões relacionadas, existe uma que lida diariamente com o desafio de recriar o ambiente encantador presente nos livros: o contador de histórias.

Foto: Divulgação Grafipel

Morando em Jaraguá do Sul há cerca de 20 anos, Anderson Santos trabalha há oito com contação de histórias, mesmo tempo que decidiu viver só da arte, com o teatro, a dança e as contações.

Anderson trabalha na área teatral há 15 anos, e começou sua trajetória como contador de histórias após fazer um curso de capacitação. “Depois que comecei, nunca mais deixei o ramo”, conta.

Ele foi um dos primeiros contadores de histórias, junto com Marcos Marquesani e Mery Petty, a fazer apresentações na livraria Grafipel, que continua até hoje promovendo esses encontros para as crianças.

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Foto: Divulgação Grafipel

Anderson conta que ao longo dos anos foi se aperfeiçoando e que o trabalho de ator ajuda na hora interpretar os personagens. “Cada pessoa tem seu estilo próprio, o meu tem muito do gestual, minhas apresentações são muito corporais. Acho que isso faz que dê certo até hoje”, ressalta.

No repertório atual, ele consegue dar vida à 10 histórias diferentes, sendo oito destinadas ao público infantil. Conforme o artista, mesmo que os adultos recebam bem uma contação de história, a demanda de trabalho para as crianças prevalece. “Esse é o mercado que tem a maior procura, com apresentações em feiras, escolas, livrarias”, explica.

Entre os personagens mais queridos estão o Zé Ribeiro, um caipira; Vó Naná, uma velhinha meio doida e o Capitão Gancho, da história do Peter Pan. A não ser a história do clássico, que ainda é adaptada, todas as outras foram escritas por Anderson. “Me inspiro e adapto, e claro, para isso li muito livro infantil como base”, conta.

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O figurino para interpretar cada um desses personagens é feito por ele mesmo e com a ajuda da esposa, a professora de dança Thamy Seco. “Vou me virando e comprando. Busco também em brechós, quando vejo uma peruca muito maluca compro”, explica.

Das dificuldades da profissão, ele afirma: elas surgem como em qualquer outra. Afinal, não é sempre que há a certeza de trabalho. Anderson também ressalta que as capacitações para contadores não estão tão acessíveis, e em muitos casos é preciso se deslocar para outra cidade para fazer um curso, por exemplo. “Outra questão é sobre a inscrição em projetos de incentivo cultural, pois por mais que você inscreva, nunca sabe se ele será aprovado”, conta.

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Foto: Divulgação Grafipel

Para os pais que querem aproximar seus filhos da literatura, Anderson vê a contação como uma grande oportunidade de incentivar esse hábito nas crianças. Para ele, a contação feita pela própria família ainda traz benefícios além do gosto pela leitura. “Isso também aproxima a família, gera uma troca bacana que vai muito além da literatura”, destaca.

E mesmo em uma época tão digital como a que vivemos, ele não tem dúvidas de que contar uma história pessoalmente ainda tem seu toque especial. “Isso ainda encanta, sabe? Tem sua magia”, afirma.

Contação dentro do Lar das Flores

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Fotos: Andre Barbi

Em julho deste ano, em comemoração ao Dia dos Avós, a Grafipel promoveu uma contação de histórias com Anderson dentro do Lar das Flores, onde ele interpretou o caipira Zé Ribeiro.

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Para o artista, o momento foi único. “A emoção lá foi fantástica! Não sei quem saiu mais feliz de lá, além do mais a receptividade foi muito boa”, relembra. “Isso é só mais uma prova de que a contação de histórias não tem idade”, complementa.

Após todos esses anos exercendo essa profissão tão lúdica e importante, de uma coisa Anderson tem certeza: “Não trocaria o que faço por nada, isso é o que me inspira ao acordar de manhã”.

E fica o recado do Zequinha para este Dia Nacional do Livro:

Próximas contações na Grafipel

A próxima contação do Anderson acontece no dia 7 de novembro, mas neste sábado, dia 31, a Grafipel promove mais uma contação de histórias, e dessa vez o tema será o Halloween. As contações começam com o pessoal do CCAA Jaraguá do Sul, com uma divertida história Winnie, the Witch, e em seguida mais uma história com Marquesani. As contações começam a partir das 10h45 e o acesso é livre.

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