Jaraguaense completa ultramaratona mais selvagem do planeta

Você já imaginou correr 164 km? E se esses 164 km forem acompanhados de condições extremas, como frio, rios, lama e até geleiras? Esse é o cenário da Ultra Fiord, corrida internacional realizada no extremo sul da Patagônia Chilena. Pra se ter ideia, a ultramaratona é considerada a mais selvagem do planeta!

A prova leva esse nome devido aos fiordes presentes na região, que são grandes entradas de mar formadas pela passagem de geleiras gigantescas.

ultra fiord 2

E Jaraguá do Sul esteve muito bem representada na última edição pelo corredor Kledir Barkemeyer, que foi o primeiro brasileiro a completar a prova de 100 milhas. Em 2015, quatro brasileiros já tinham tentado, mas não conseguiram chegar ao final da prova.

kledir

A prova foi realizada do dia 14 ao dia 16 de abril. Kledir completou a corrida com um tempo de 29h13, chegando em 24º lugar em sua categoria.

Preparação
Mas para conseguir terminar a prova, a preparação do jaraguaense foi intensa. Nos últimos dois anos ele já vinha fazendo provas de longa distância em lugares extremos.

kledir 2

No início de dezembro 2015 participou de uma corrida de 100 km no vulcão Osorno, em Puerto Varas, no sul do Chile. Nas férias do final do ano iniciou os treinamentos pedalando e correndo pelas serras de Campo Alegre, São Bento e Corupá e depois continuou com treino específico para essa prova. “Nos últimos três meses eu treinei todos os dias, além de corrida e musculação, eu também vario os meus treinamentos com bike e natação”, explica.

O percurso
Para ele, essa prova foi a mais bonita e, devido às péssimas condições do tempo, também a mais difícil que participou. Um dia antes os corredores foram avisados que o percurso seria alterado para um plano B. “Teve muita neve e vento frio. Eu subestimei o frio da Patagônia, e isso fez com que eu sentisse muita dor nos pulmões enquanto corria. Por causa de alguns erros que cometi na hora de escolher os equipamentos que utilizei, essas dores me fizeram perder muito rendimento”, explica.

Além das dificuldades impostas pelo clima, o emocional dos corredores também foi posto à prova. “Por volta do quilômetro 70 atravessamos o glaciar Chacabuco, a 800 metros de altitude, onde o competidor mexicano morreu de hipotermia. Nessa parte da prova eu fiquei dividido entre o medo e o frio, com a beleza das paisagens”, relembra.

Próximos desafios
Depois do bom resultado, o jaraguaense já tem planos para participar de outras provas. O próximo desafio será a Ultra-Trail du Mont-Blanc, em Chamonix, na França, em agosto. Depois, a Endurance Challenge Chile, com 168km. E sobre a Ultra Fiord ele já adianta: “No ano que vem vou voltar para fazer outra vez.”

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