Histórias de Guaramirim: como nasceu o Morro do Satuca

O Satuca está para Guaramirim o que o Brooklyn é para Nova Iorque. Por vezes injustamente discriminado, é um palco de lendas, berço de mitos e importante pico na história da cidade.

Aonde morava o Bugão

Aonde morava o Bugão

Made in 1979, eu, little guaramirense que fui, vivenciei o Satuca quando o morro ainda era meio “moleque”, em seu crescimento. Com um supermercado Breithaupt pequeninho na entrada principal (foto abaixo), ele ainda tinha muitos terrenos baldios e barrancos nús pra piazada se esfolar brincando. Os valos, ainda abertos, corriam lá de cima uma água relativamente limpa, ocupada por piavas e girinos. Brinquei pracaraio nesses lugares.

Foto de Charles Longhi‎, compartilhada na comunidade Antigamente em Guaramirim

Foto de Charles Longhi‎, compartilhada na comunidade Antigamente em Guaramirim

Do casarão ao casebre, o Satuca nunca fez distinção, e sempre acolheu a todos… Aliás, essa era uma vibe que a pequena cidade tinha constante em sua rotina.

Vejam bem, meu falecido vô tinha um BAR que ficava praticamente no pé do morro. Ouvi poucas histórias dele sobre isso, mas uma das mais legais é justamente sobre as indiferenças: não importava a condição social ou cor da pele do guaramirense, no fim do dia a moçada se sentava na mesma mesa pra tomar uma gelada e falar da vida.

Foto: acervo pessoal / Reprodução proibida

Meu vô e a galera do bar, cuidando de um número respeitável de ampolas. Foto: acervo pessoal Zenoth Treis

Hoje, crescidão e até asfaltado, o morro já perdeu alguns de seus ocupantes mais notórios, e vai sendo ocupado por caras cada vez mais novas.  Sabe, porém, essa nova geração de ocupantes da Rua Agostinho Valentim do Rosário, a origem do nome do Satuca? Bom, a gente foi atrás, e agora compartilha aqui essa história. :)

entradasatuca

A entrada do endereço – Foto de 2011, via Google

Quem contribuiu com as informações abaixo foi o amigo Jair Tomelim e o Arquivo Histórico de Guaramirim. Segue o apurado:

“O processo de ‘colonização’ do morro do Satuca aconteceu por uma ocupação. O senhor Saturnino Borba, conhecido como Satuca, foi um dos primeiros moradores do local. Ele foi trazendo seus filhos, parentes e ocupou o morro, por isso o nome.

Em um certo ponto, ele começou a comercializar os lotes do morro e assim a comunidade foi crescendo.

Vista do morro do Satuca. A casa branca à esquerda, na primeira foto, era a casa do delegado Antonio Zimmermann, onde hoje é o Posto Maiochi. Fonte: Prefeitura Municipal

Vista do morro do Satuca. A casa branca à esquerda, na primeira foto, era a casa do delegado Antonio Zimmermann, onde hoje é o Posto Maiochi. Percebam que coisa linda o trem passando ao fundo. Fonte: Prefeitura Municipal.

Seu Satuca era um homem muito simples, e bastante respeitado na região. Quem queria comprar um terreno, subia o morro pra conversar com ele. Era um ‘negociador’. Sua mulher era benzedeira e os dois eram muito conhecidos.

Hoje o local é urbanizado e reconhecido pela Prefeitura.

Não há datas exatas sobre quando as coisas aconteceram. Segundo o Jair Tomelin, secretário da Saúde de Guaramirim, o processo foi ocorrendo assim, sem nada oficial.

Conste, Agostinho Valentim do Rosário, que nomeia a rua principal do morro, foi um intendente do distrito joinvilense de Bananal.”

Morro do Satuca,  no primeiro quartel do século XX. Fonte: Arquivo Histórico Pastor Wilhelm Lange, Fundo Daniel Graudin.

Morro do Satuca, no primeiro quartel do século XX. Fonte: Arquivo Histórico Pastor Wilhelm Lange, Fundo Daniel Graudin.

Bem que tentamos encontrar uma foto do sêo Saturnino, mas nada. Caso alguém ai tenha mais alguma referência, passa pra gente, por favor. Vamos deixar esse registro aqui ainda mais lindão.

Abraço pros antigos vizinhos e amigos de infância, esse post é dedicado a vocês. :)


Ah, sim, e pra quem quer saber mais da história da cidade, aqui tem um link bacana.

Sobre o autor

Ricardo Daniel Treis

Publicitário, sócio e editor do Por Acaso. Editoria / marketing / novas ideias. Mau humor / imaginação / boa música. Calor / cerveja / casa arrumada.

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